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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DESEJOS PARA 2011

       
         Com as Festas de Natal, o Ano Novo, o Réveillon... Eita, e o ano voou! E começam os novos planos, os novos desejos para o ano que começa. Creio que já perdi a conta de quantos projetos já fiz para os anos que passaram, mas é sempre bom ter algumas metas mesmo que nem todas elas venham a ser atingidas. Primeiro de tudo, agradecer a Deus pelas conquistas do ano que termina, pois em muitas vezes você vê o dedo de Deus direitinho naquilo que você desejou, sonhou, planejou... E o que eu espero que me aconteça ou que eu realize em 2011?

         Das coisas que não dependem diretamente de mim às que requerem totalmente a minha ação:

         A que resolve quaaase tudo? Ganhar na loteria!!!!!

         Ganhar um carrinho, para chamar de meu...

         Ler bem mais do que li este ano, afinal a pilha de livros vem aumentando...

        Sair um pouco desse ócio, começar as caminhadas, que mata dois coelhos, a boa manutenção da saúde e da estética,

        Vender o apartamento e comprar um maior e melhor,

        Fazer belas viagens!

        Manter-me organizada, ter certa sistemática, me cobro muito isso...

        Até agora são sete, não da conta do mentiroso, mas é para dar sorte!

        E o desejo que está implícito... Para todos nós, saúde, amor, alegria, dinheiro, paz, sucesso, a tal da felicidade enfim!

        E você o que espera de/em 2011?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ERA UMA VEZ... O CHEIRO DO NATAL

           Então é Natal... “Então bom Natal, e um ano novo também”!

Canto de Natal (Manuel Bandeira)

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino

         Como este soneto me transporta para minha infância quando ilustrávamos nossos cadernos ou confeccionávamos nossos cartões de Natal! Já não desfruto do Natal com o mesmo prazer de antes. Antes, significa muitos anos, décadas atrás... Quando o Natal era uma época mágica, havia magia na montagem da árvore que na minha casa não passava de um galho de árvore coberto de algodão e enfeitado de bolinhas coloridas que a cada ano eram repostas, pois iam quebrando e diminuíam de quantidade a cada ano, havia magia na montagem do presépio, havia magia na preparação dos bolos e da rabanada, havia magia em esperar o papai Noel e mesmo quando já não se acreditava mais, a magia estava na espera do presente que ficava escondido até aquele esperado dia, havia magia no colorido das luzes que decoravam as ruas, lojas e casas, havia magia nas mensagens enviadas e recebidas nos famosos e esquecidos cartões de Boas Festas que se esperava ser entregues pelo carteiro, havia magia em passear com minha mãe para ver a decoração da cidade, havia magia em vestir roupa nova para ir a Missa do Galo... O mês de dezembro era mágico, tinha um cheiro, um colorido, um ar de festa diferente...
           Hoje o mundo mudou, as pessoas mudaram, as coisas mudaram, a tecnologia se impôs tornando a vida mais confortável, mais plasticamente bonita mas, também com muita correria, estresse...sem o prazer das pequenas coisas, até os cartões são virtuais , até as canções de Natal não evocam mais o verdadeiro espírito natalino de alegria, fraternidade e amor. Nesta nossa berlinda só se pensa em comprar, comprar e o Natal se transformou em simples trocas de presentes, amigos ocultos e lá se foi o verdadeiro sentido do Natal, expulsaram o Jesus da própria festa... Que pena, não sinto o cheiro do Natal, na minha infância ele tinha um perfume especial que emanava do ar!

Dezembro (Carlos Drummond de Andrade)

Quem me acode
à cabeça e ao coração
neste fim de ano,
entre alegria e dor?

Que sonho,
que mistério,
que oração?

Amor.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NAVEGANDO NA POESIA DE FERNANDO PESSOA

       “Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?” Livro do Desassossego, Fernando Pessoa.

         Descobri um site sobre Fernando Pessoa (Lisboa 1888/1935) muito bom, maravilhoso, para melhor dizer, é o Portal MultiPessoa, uma iniciativa do Instituto de Estudos sobre o Modernismo, um site completo, rico em detalhes sobre as muitas vidas deste grande poeta. Como ele mesmo diz em seu Navegar é preciso, que “viver não é necessário: o que é necessário é criar”, ele fez disso a sua máxima, criando um estilo próprio e uma característica marcante de sua vida e de suas obras, seus heterônimos. Nos seus 47anos de vida foi muitos e fez muito e o fato de usar a heteronímia para escrever sobre temas complexos e sobre prismas diferentes fez dele um ser contraditório e como bem diz estudiosos de sua obra, enigmático. Não sou grande conhecedora de sua obra, só agora estou navegando (pois é preciso) por esta profusão de poesias e prosas de encher os olhos e a alma que despertaram em mim uma curiosidade maior. Comecei a fazer então a relação dos escritos graças ao MultiPessoa de cada heterônimo com um tema específico e percebi que assim fica bem interessante para se conhecer as idiossincrasias dos muitos Pessoas, ou  apenas do Fernando Pessoa ou talvez, nenhum deles, afinal quem há de saber?

         Como perfeitamente descreveu Saramago, em Heteronímia - As máscaras que se olham, “Cada um de nós é quem é, mas aquele que em nós faz é outro. Fernando Pessoa soube-o melhor que ninguém, e os heterónimos, mais do que «drama em gente», são, cada um deles, a expressão individualizante de um conteúdo plural que se tornou singular no seu fazer-se, um ser que é diferente porque diferente foi o fazer dele (...). Posta a questão nestes termos, seria fascinante ler Ricardo Reis como Ricardo Reis, e não como Fernando Pessoa. E o mesmo com Álvaro de Campos. Ou Alberto Caeiro. Ou Bernardo Soares (...). Há vertigem neste jogo. As máscaras olham-se sabendo-se máscaras. Usam um olhar que não lhes pertence, e esse olhar, que vê, não se vê. Colocamos no rosto uma máscara e somos outro aos olhos de quem nos olhe. Mas de súbito descobrimos, aterrados, que, por trás da máscara que afinal não poderemos ser, não sabemos quem somos. Está portanto por saber quem é Fernando Pessoa”.

          Então transcrevi aqui o Pensar na palavra de Fernando Pessoa e seus principais heterônimos, Ricardo Reis, Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e do semi-heterônimo Bernardo Soares. (As poesias e a prosa foram retirados do site MultiPessoa)

          PENSAR (Para Ricardo Reis “Pensar no mundo é complicar inutilmente aquilo que existe sem ser pensado”)

Para quê complicar inutilmente,
Pensando, o que impensado existe? Nascem
Ervas sem razão dada —
Para elas olhos, não razões, tenhamos.
Como através de um rio as contemplemos.

3-9-1932
Poemas de Ricardo Reis. Fernando Pessoa

         PENSAR ( Para Pessoa “todos os sentimentos são fruto do pensamento”)

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

18-9-1933
Poesias. Fernando Pessoa.

          PENSAR (Para caieiro “O mundo não se fez para pensarmos nele, mas para olharmos para ele”).

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

8-3-1914
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

         PENSAR (Para Campos “pensar mais é inútil e incomoda”)

Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o Verão quente do dia.

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas.
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...

6-7-1935
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa.

         PENSAR ( Para soares “Pensar é viver e sentir não é mais que o alimento do pensar”)

Aquilo que, creio, produz em mim o sentimento profundo, em que vivo, de incongruência com os outros, e que a maio ria pensa com a sensibilidade e eu sinto com o pensamento.
Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.
É curioso que, sendo escassa a minha capacidade de entusiasmo, ela é naturalmente mais solicitada pelos que se me opõem em temperamento do que pelos que são da minha espécie espiritual. A ninguém admiro, na literatura, mais que aos clássicos, que são a quem menos me assemelho. A ter que escolher, para leitura única, entre Chateaubriand e Vieira, escolheria Vieira sem necessidade de meditar.
Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjectividade. E é por isso que o meu estudo atento e constante é essa mesma humanidade vulgar que repugno e de quem disto. Amo-a porque a odeio. Gosto de vê-la porque detesto senti-la. A paisagem, tão admirável como quadro, é em geral incómoda como leito.

13-4-1930
Livro do Desassossego por Bernardo Soares.Vol.I. Fernando Pessoa.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SHOWS PARA GUARDAR NA MEMÓRIA

        Aproveitando as listinhas típicas de fim de ano e ainda sob o efeito de deslumbramento a que me encontrei depois de assistir ao show de Paul McCartney, resolvi fazer uma breve retrospectiva dos grandes shows que assisti não só este ano, mas nos últimos anos, grandes não só porque foram vistos por um grande número de pessoas, mas porque foram espetáculos de grande porte, porque provocaram grandes expectativas e emoções e porque eram com grandes artistas e ídolos que conquistaram e ainda vêem conquistando várias gerações de fãs. Rememorando me senti nostálgica... Acho que esses shows vão ficar para sempre em minha memória!
        O primeiro grande show a que assisti, foi no dia 24 /03/2007, uma noite de sábado, de céu claro com o estádio do Morumbi lotado. O protagonista, Roger Waters com sua banda na turnê “The Dark Side Of The Moon”, um show memorável, nunca antes havia entrado em um campo de futebol lotado, nunca antes havia assistido a um show daquela grandeza e sentir aquela vibração, a energia de todas aquelas pessoas ansiosas em ver seu ídolo, cantar com ele... Foi maravilhoso! Para mim um verdadeiro deslumbre. O esquente ficou com as olas, as disputas entre lados da arquibancada e os aplausos pelas performances de cada uma delas. E o show começou com a pontualidade britânica e teve como um dos pontos altos o momento em que um grande porco inflável sobrevoou o estádio durante a música “Sheep” e em que se podiam ler frases de protesto como “All we need is education”, “Hey killers, leave our kids alone” e “Bush, não estamos à venda”, Ele subiu, sumiu no céu e o público foi à loucura. Estava tudo tão perfeito que às vezes era impossível distinguir se era apenas Roger Waters ou todo o Pink Floyd que estava cantando no palco, a voz de David Gilmour se fazia ouvir como naquele velho vinil, The dark side of the moon, ainda guardado, que ganhei nos meus 17 anos, era incrível, perfeito. Em um show de 2 horas e meia Roger Waters tocou e cantamos (tentei) com ele muitos dos sucessos “Shine on you crazy Diamond” ,“Perfect sense”, “Comfortably numb”, “ Us and them”, “Wish you were here” e todos os outros que nos fizeram seus fãs desde os anos 70 embalando os sonhos de tempos melhores.


         Por Serginho2112 no youtube
         Já no dia 17/01/2009 um dia chuvoso em São Paulo assisti (mos) no Anhembi ao show de Elton John, com sua turnê “Rocket man” que foi aberto pelo também inglês James Blunt que fez o público ir à loucura quando cantou “You’re beautiful”, “Carry you home” e "Same mistake”, as óbvias, tocadas a exaustão nas novelas e nas fms, mas as que eu mais gosto.



        Vestindo um casaco longo estampado com araras e óculos com lentes azuis, Elton John incluiu em seu repertório clássicos de várias fases de sua loonga carreira, como "Sacrifice", "Goodbye yellow brick Road”, “Skyline Pigeon”, “Sad songs” e “Your Song” e nos maravilhou com seu jeito de ser e cantar.



       Os inéditos momentos destes shows, tanto o de James Blunt como de Elton John foram suas performances. Ao se elevar sobre o piano, ficando quase suspenso Elton John levou seus fãs ao delírio assim como, James Blunt quando ao encerrar seu show simula um surf sobre o seu piano.
        A longa expectativa por esse show foi inversamente proporcional ao prazer de assisti-lo. Foi bom? Foi. Até emocionante, mas a chuva, acompanhada do tira e bota da capa, a longa espera para abrirem os portões, e o fato de ter sido um show assistido em pé em um espaço que acho não ter combinado em nada com as baladas de Elton John, me deixaram um pouco frustrada, afinal eu sempre sonhei em assistir ao vivo a um show dele. Bem que poderia ter sido no Morumbi...
        Depois de uma viagem de carro de Natal a Recife no dia 18/03/2010 foi à vez de assistir (mos) a A-ha no Chevrolet hall em Olinda numa noite de chuva, mas que não atrapalhou em nada o que veria a ser um show maravilhoso. Mesmo com o atraso de quase uma hora. Iria começar às 22 horas, e só começou as 22: 45, quando o vocalista Morten Harket subiu ao palco e falou que estava com problemas de voz e solicitou a ajuda do público para cantar com ele. Isso não foi empecilho para o que se seguiu quando toda a platéia que lotou o espaço cantou todas as canções. Músicas como, “Living Daylights”,” Hunting High and Low”, “The Sun Always Shines on the TV” e “Take on me”, foram catárticas. Mesmo com a voz falhando ele não decepcionou e de maneira descontraída embalou com suas canções os jovens e os não tão jovens, como eu, claro. Foi um belíssimo show!

        Por toda a trajetória e a história em torno da banda, os Beatles, forjadora de um estilo e de comportamentos a expectativa deste último show, no dia 21/11, foi uma estória a parte. Na minha infância eles eram tão inatingíveis, estavam tão distantes de mim, de minha realidade, que ter a oportunidade de ver um de seus integrantes ao vivo, agora depois de toda uma vida, foi uma sensação única, uma experiência única! Estar lá ao vivo, compartilhar aquela emoção, aquela energia, uma “sinergia”, fez e faz toda a diferença!



       Cada um a sua maneira, dentro de suas peculiaridades me tocaram, me fizeram reviver o tempo em que eles eram para mim apenas uma voz que embalava minha infância, minha adolescência e passaram a ser o espetáculo que me transportaram do sonho para a realidade!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

OS LIVROS QUE LI - PARTE II - RETROSPECTIVA 2010

        Com o final do ano começamos a reavaliar o que nos foi favorável ou não naquele ano, e daí começam a surgir as listas ilustrativas destes acontecimentos. Este ano para mim foi recheado de boas leituras... Digo boas porque sempre procuro me informar bem sobre o livro que quero ler, e daí já parto para a leitura sabendo a priori que vou gostar. Claro que existem livros que acrescentam e livros de leitura mais leve e minha leitura oscilou entre estas duas categorias. O problema acho eu, que acontece geralmente é que quando mergulho em uma leitura, me envolvo de uma forma ou de outra com os personagens, com o enredo, a narrativa, e aí costuma ficar complicado fazer uso de minha veia crítica e termino um pouco cúmplice daqueles escritores.
        Comecei o ano lendo, "A cura de Schopenhauer" e "Mamãe e o sentido da vida" de Irvin Yalom ( Este psiquiatra com um estilo de escrever acessível e simples mesmo para quem não é da área, a partir da descrição de seus casos ou da elaboração criativa inserindo grandes expoentes da filosofia aborda em sua narrativa as dores da alma e os aspectos técnicos e teóricos da psicanálise empregados em sua recuperação).
        "Fazendo as malas" e "De malas prontas" de Danuza leão ( Danuza dispensa apresentações, jornalista e escritora escreveu estes dois livros numa proposta diferenciada em se tratando de viagens. Sua narrativa flui e nos convida a conhecer as cidades visitadas sob outra ótica fugindo totalmente do que vemos e lemos nos guias de viagem).
        "As 100 melhores crônicas brasileiras" – uma seleção de Joaquim Ferreira dos Santos ( Embora seja a escolha pessoal do autor (vai sempre faltar aquele escritor especial para alguém), esta antologia organizada pelo escritor e jornalista Joaquim Ferreira é uma viagem divertida pelas letras do século XX e reúne grandes nomes de nossa língua possuindo textos que mesmo tendo sido inspirados naquele momento continuam atuais).
        "O Flanêur – um passeio pelos paradoxos de Paris" de Edmund White ( é um livro da coleção o Escritor e a Cidade que consiste na descrição pessoal de um renomado autor sobre uma cidade de sua preferência, neste livro o autor-flanêur descortina uma Paris que não se encontra em nenhum guia turístico).
        "Germinal" e o "Paraíso das Damas" de Émile Zola ( são dois exemplos do estilo magistral de escrever do francês Émile Zola que descreve em ambos os livros o aspecto social da luta dos trabalhadores em uma França envolta em mudanças econômicas. Pelo próprio contexto um nos mostra com riqueza de detalhes, em uma visão mais negativista, as condições subumanas a que se submetiam os trabalhadores de uma mina de carvão e o outro em uma visão mais positiva o surgimento de uma sociedade de consumo e a luta dos funcionários de um novo comércio, a loja de departamentos, na conquista do seu espaço na Paris das grandes transformações Haussmanianas ).
         "Abril em Paris" de Michael Wallmer ( é um romance carregado de suspense que conta a história de uma Paris pós 2ª guerra e o amor conflitante entre um soldado alemão e uma jovem da Resistência. Uma leitura leve e cativante que nos prende até o fim) e,
         "A Duquesa de Langeais", "Ferragus", "O coronel Chalbert ( seguido ) de A mulher abandonada", "A obra - prima ignorada", "A vendeta ( seguido ) de A paz conjugal", "O Pai Goriot", "O Lírio do vale" e o "Volume I da Comédia Humana" da Companhia das Letras, de Honoré de Balzac (Este como falei no post anterior em sua monumental obra denominada A Comédia Humana, com um estilo próprio e delicioso de escrever e de ler retrata a Paris do século XIX com suas tramas de poder, sedução e dinheiro, ingredientes que inspiram na ficção como na vida real a grandeza e a pequenez da natureza humana).

sábado, 11 de dezembro de 2010

OS LIVROS QUE LI - PARTE I - BALZAC

        Este ano dentre os livros que li, me debrucei especialmente sobre as obras de Honoré de Balzac, um escritor francês de mente fértil, criativo e talentoso que retrata com propriedade as reviravoltas da sociedade francesa do início do século XIX, especificamente a ascensão da burguesia e a decadência da nobreza na França. Sua extensa obra forma o que ele denominou de, “A Comédia Humana”, e exprime tão bem em uma descrição pormenorizada, mas, não aborrecida, os amores, as intrigas, e as ambições inerentes ao ser humano e que estavam tão presentes naquela sociedade. Ele descreve com maestria dando a sociedade um movimento que prende, pois você é inserido nela, envolvido pelas descrições perfeitas seja do ambiente, do comportamento humano ou da sociedade como um todo. Em seus escritos ele se projeta. Era um escritor controverso, pois embora descrevesse de maneira pormenorizada a ambição de seus protagonistas viveu mergulhado em dívidas e fugindo de seus credores, enquanto que em relação a sua vida amorosa, descrevia o desejo de amor ideal revestido de um sentimento profundo e puro sendo sua vida de freqüentes decepções amorosas.

       Comecei por ler o livro Eugénie Grandet, e de lá para cá venho cada vez mais mergulhando nesta sua sociedade recheada de belas balzaquianas capazes de levar os homens a felicidade ou ao infortúnio. Dentre os livros já lidos posso enumerar: Ascensão e queda de César Birotteau, A Pele de Onagro, A menina dos olhos de ouro, Estudos de mulher, A mulher de trinta anos, A duquesa de Langeais, Ferragus, O coronel Chalbert ( seguido ) de A mulher abandonada, A obra - prima ignorada, A vendeta ( seguido ) de A paz conjugal, O Lírio do vale, O Pai Goriot e continuando este último, estou iniciando Ilusões Perdidas que junto ao Esplendores e Misérias das cortesãs, próximo a ler, formam uma trilogia .



terça-feira, 30 de novembro de 2010

BREVE TOUR CULTURAL EM SÃO PAULO

      No dia anterior ao show de Paul McCartney, aproveitamos para fazer um pequeno grande tour cultural em São Paulo. Embora rápido foi muito proveitoso, se é que posso descrevê-lo desta forma.
      Visitamos o Museu da Língua Portuguesa que para nossa sorte está apresentando (de 24/08 a 30/01/2011) a exposição "Fernando Pessoa, plural como o universo”, que homenageia a vida e a obra de um dos grandes poetas do século XX. É uma exposição dividida em vários espaços. No primeiro, poderíamos entrar em cinco pequenas cabines, onde eram projetados trechos de poemas do próprio Fernando Pessoa e de seus heterônimos, Ricardo Reis, Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares, de uma forma interativa onde foram utilizados recursos tecnológicos para que a cada vez que o visitante levante o braço, captado por um sensor os poemas fossem mudando. Em um segundo espaço parecendo um labirinto estão dispostos, brincando com o visitante, vários trechos de poesias e imagens do poeta e em um outro espaço várias livros e manuscritos do poeta estão expostos em uma espécie de mesa-vitrine.





      Ali vizinho, fomos também à Pinacoteca, visitar as obras de seu acervo composto de obras de Lasar Segall, Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti entre outros. Como era precisamente o feriado da consciência negra, para celebrar este dia, a Pinacoteca está com a bela exposição do fotógrafo Ricardo Telles,"O Lado de lá - Angola, Congo, Benin" de 20/11 a 09/01/2011, que retrata a vida na África. Também não perdemos a oportunidade de ver as obras expostas no Parque da Estação da Luz, que possui esculturas de Lasar Segall, Victor Brecheret, Amílcar de Castro, entre outros.

Foto de Ricardo Telles

Escultura no Parque da Estação da Luz

       Com o titulo dado à exposição, “Há sempre um copo de mar para um homem navegar" visitamos a 29ª Bienal de 25/09 a 12/12/2010 no Pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera, uma exposição de arte contemporânea hoje cada vez mais multifacetada por utilizar diversas vias de expressão e que por isso são efêmeras ou descartáveis não sei bem, mas que não acrescentam muito a história da arte. Vi algumas obras de impacto, e muitas outras, que no meu mínimo entendimento de arte não dizem muita coisa, ou coisa nenhuma. Nesse copo de mar, vemos é que cada artista busca seu espaço, sua identidade, se expressando através de sua criatividade, de suas obras. Os desenhos do artista Gil Vicente que retratou a si mesmo matando personalidades, o grande painel de Jean Luc-Godard sobre Saravejo, e as cabeças gigantes dos animais que simbolizam o horóscopo chinês de Ai WeiWei foi o que chamou mais a minha atenção.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

LAGOS ANDINOS PARTE III - DESCOBRINDO A ARGENTINA

        Continuando a travessia dos Lagos Andinos saimos do Parque Vicente Perez, e chegamos à cidade fronteiriça de Puerto Frias, cidadezinha onde fizemos os tramites de entrada na Aduana Argentina, e onde navegando pelo Lago Frias se pode contemplar a belíssima vista do Cerro Tronador com seus 3.491m. Daí saindo de ônibus para Puerto Alegre tomamos o barco para navegar pelo Lago Nahuel Huapi e chegamos ao Puerto Pañuelo, o porto que fica em frente ao hotel Llao Llao, o melhor hotel de Bariloche.

Paisagens do nosso trajeto



PORTO BLEST

       O nosso almoço foi em Porto Blest, bem fraquinho por sinal em um daqueles galpões que chamam de restaurante e embarcamos novamente para irmos a Porto Cântaros. Aí se sobe quem quiser, claro, os 650 degraus de uma escadaria de madeira cercada de uma vegetação exuberante a beira da correnteza que conduz à cascata Los Cântaros alimentada pelo Lago Los Cântaros. Dos seus vários mirantes podemos apreciar uma belíssima paisagem e admirar os diversos saltos e cascatas espetaculares dessa região bem úmida e fria.

Cascata Los Cântaros

Lago Los Cântaros

       Neste trajeto passamos pela Ilha Centinela, onde estão os restos mortais do perito Francisco Moreno e dos barcos ecoa um apito reverenciando um dos mais importantes heróis civis da Argentina. Neste percurso o catamarã é seguido por gaivotas que enfeitam o céu e dão as boas vindas a quem chega a Bariloche. Fora da embarcação o vento e frio são grandes, mas vale a pena pela vista e pela experiência lúdica de alimentar as gaivotas que comem o que esteja em suas mãos. É fantástico!

As boas vindas das gaivotas

BARILOCHE

       Chegando a Bariloche agora na companhia da guia Graciela, bem simpática e falante, nos instalamos no hotel Villa Sofia, um resort bem confortável, mas um pouco distante do centro cívico. Como já conhecia Bariloche de outra viagem em que havia desfrutado de muitos passeios, acompanhamos o grupo na descoberta da cidade no circuito Chico, um city tour rápido pelos principais mirantes do Parque Nahuel Huapi e nos passeios até o Cerro Campanário, que se sobe em um teleférico de cadeirinhas duplas até os seus 1.050m de altitude para de lá ter uma vista maravilhosa de toda a região cheia de vales, lagos e montanhas e cercada de bosques de pinheiros não nativos. Algumas pessoas também subiram o teleférico do Cerro Otto, este uma cabine fechada que leva ao Complexo Cerro Otto e sua famosa Confeitaria giratória, a única da América do Sul, que faz um giro bem devagar oferecendo uma vista de 360º de todo a cidade. No inverno com o Cerro coberto de neve a experiência é mais lúdica, as fotos mais divertidas, o cenário mais bonito...

O mapa da vista de todo o Cerro Campanário

       Fomos também à estação de ski Cerro Catedral, mas como estávamos no iniciozinho do inverno havia pouca neve e o cenário de aventura dos vários esportes radicais como ski, snowboard, quadriciclo (que nos divertiram tanto na viagem passada) entre outros estava vazia, silenciosa, irreconhecível.

Cerro Catedral ainda sem neve

       No centro de Bariloche, passeamos pelo Centro Cívico, pelo comércio que voltado para o turismo é constituído de produtos de couro, chocolate, lã e esportes de inverno. Uma curiosidade da região é o colorido da rosa mosqueta, um vegetal nativo de clima frio que em Bariloche se transforma em cremes, sabonetes, geléias, chás, etc. que graças as suas flores brancas e rosa e com seus frutos vermelhos emprestam a paisagem um colorido todo especial.
       No quesito gastronomia fizemos nosso tour por vários restaurantes tradicionais. Almoçamos no Rincon Patagônico, um restaurante de arquitetura rústica que oferece pratos típicos da região como o cordeiro, pescados como o salmão, a truta e carnes de javali e cervo. Saboreamos um prato delicioso e muito bem apresentado, raviolones de cordeiro ao molho à bolonhesa de cordeiro, acompanhado de um vinho da Bodega Del fin Del Mundo malbec da Patagônia Argentina, almoço sublime! Também degustamos da cozinha da Família Weiss, um dos restaurantes mais tradicionais de Bariloche, bem alto astral, com músico tocando nas mesas para animar a turma que já estava pra lá de animada e que para completar fica em frente ao Lago Nahuel Huapi,uma bela vista! Completamos o tour com pizzas e fondue.

Um excelente restaurante
  
O Lago Nahuel Huapi

       Foram-nos oferecidos dois passeios, um mais radical, feito em uma 4x4 ao Refúgio de Neumeyer e o outro em uma van a Villa La Angostura. Embora preferisse o primeiro, embarcamos para La Angostura. Para nos animar a manhã começou com neve em Bariloche, a cidade ficou linda toda branquinha, fato surpreendente para a época, início de junho.

A surpreendente neve

       Começamos nosso passeio com a guia Graciela que nos ofereceu sempre muitas informações com solicitude e narrando a viagem com fluidez sem a forma mecânica que às vezes vemos. Saindo da cidade entramos em uma via com a verdadeira paisagem da Patagônia, que não é de montanhas e gelo, mas sim sem vegetação, aberta e cheia de ventos fortes que ingressam do pacífico sul. Contorna todo o lago Nahuel Huapi, majestoso que poderia aí ter duas vezes e meia o tamanho da cidade de Buenos Aires e que nasce na cordilheira no Cerro Tronador e vai até o Atlântico (com profundidade variando de 250 a 500 metros de profundidade com temperatura de 6 a 8 graus) e de Porto Blest até o rio Limay (cristalino), que tem aí sua nascente.
       O trajeto é surpreendente pela beleza da paisagem que muda de acordo com a geografia, de planícies a montanhas. Nos primeiros quilômetros percorridos o nosso entorno tinha o predomínio da estepe patagônica com uma vegetação baixa de tons marrons amarelados. Ao entrarmos no estado de Neuquén (audaz) já percebemos uma região que parece desértica, mas que é constituída de paisagens diversificadas provavelmente por sua proximidade com a Cordilheira dos Andes.





VILLA LA ANGOSTURA

       Seguimos em direção a La Angostura cercada de bosques de árvores nativas como o cipreste, utilizado em grande parte das construções, e de cohiues, árvores resistentes que protegem os lagos e podem chegar a 70 mts e 350 anos.
       A cidade de Villa La Angostura,denominada o jardim da patagônia, é muito jovem, tem 75 anos, 22 mil habitantes e localiza-se entre Bariloche e o Osorno, e está situada entre os lagos Nahuel huapi e o Correntoso, sendo a cidade mais próxima do Chile. Fica em frente ao lago Nahuel Huapi que aqui chega à profundidade de 500 metros. É a segunda principal cidade, depois de Bariloche localizada na região do maior Parque Nacional, o Nahuel Huapi. É uma região belíssima formada por lagos, montanhas e bosques e que oferece ao turista (mo), sua principal atividade, uma variedade de esportes radicais nos rios e bosques e de inverno no seu centro de ski Cerro Bayo, que não conhecemos. Ela é portanto uma típica cidade turística cheia de lojinhas, muitas de artesanato e restaurantes, de arquitetura alemã com construções baixas feitas principalmente de pedra e madeira que parece tirada de contos fadas com suas florestas encantadas.
       Aí dois destaques do passeio, o rio Correntoso o menor rio com 241 metros e com uma descida natural de 520 metros, que une os dois lagos o Correntoso e o Nahuel Huapi e um pequeno bosque de Arrayanes, uma árvore cor de canela e com troncos contorcidos próprios de região úmida, como a margem dos lagos. Seguramente é uma cidade para se conhecer com tempo e calma para desfrutar de tanta beleza!

Bosque de Arrayanes

Correntoso, o menor rio

BUENOS AIRES

       Chegando a Buenos Aires o nosso guia Gustavo nos pegou no aeroporto para nos levar ao hotel Galerias, e depois de instalados saímos todo o grupo para comer as famosas empanadas no restaurante Les Imortales, aprovadas pela maioria.
       No dia seguinte saímos para um city tour pela cidade, conhecendo a histórica Plaza de Mayo, a belíssima Catedral Metropolitana, a Casa Rosada, o bairro de Palermo com suas residências famosas, o complexo de restaurantes do Porto Madero e sua bela ponte La Mujer de Calatrava, o colorido do Caminito com seus bares e dançarinos de tango, La Boca e o famoso estádio La Bombonera. À noite fomos à casa de tango Senhor Tango, considerada a melhor, mas há controvérsias! Aqui o grupo se dispersou mais na ida a passeios, restaurantes e que culminou com o retorno ao Brasil, em vôos diferentes.
       Assim foi a nossa viagem aos Lagos Andinos, que com seus imensos lagos de águas cristalinas, seus bosques, sua majestosa cadeia de vulcões cheios de neve transformam a paisagem de pequenas e agradáveis cidades em um roteiro imperdível e com um cenário inesquecível. A natureza está presente em tudo e enche os nossos olhos. Parece até clichê, mas não é...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

PAUL MCCARTNEY EM SÃO PAULO 22/11/2010

                  
                        Por Marcelocom no youtube

          Finalmente alguém postou esta música no youtube, porque eu não estava lá no Morumbi no dia 22/11, mas gostaria de ter estado para ouvi-la ao vivo. Maravilhosa!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

PAUL MCCARTNEY EM SÃO PAULO - 21/11

      Tendo como cenário um estádio de futebol lotado por mais de 60 mil pessoas e uma lua cheia linda no céu assisti (mos) a um show inesquecível, se é que só esta palavra pode descrever tanta emoção. Foram quase três horas de apresentação que se passaram depressinha. Não é a toa que existem pessoas que vão assistir em diversas cidades ao show. Eu certamente assistiria, e me emocionaria, e cantaria, e gritaria como senti e fiz.
      Contradizendo a meteorologia não choveu e uma lua solitária em um céu sem estrelas brilhou junto a Paul McCartney a única estrela que esbanjando simpatia, talento e muiiita saúde emocionou e divertiu à todas as gerações ali presentes, acompanhado é claro por uma banda formada por músicos excelentes.
       Foi um show completo, perfeito, com homenagens à Linda (My Love), George Harisson (Something) e John Lennon (Here today), dois bis, fato inédito, com sete músicas e um delírio total. Foi tudo que li e vi na mídia e muito mais porque eu estava lá. Há quem prefira assistir em casa e se pergunta o porquê de se enfrentar toda a aquela loucura, mas, sentir toda a energia, a emoção da música cantada em coro com seu ídolo não tem preço!





terça-feira, 16 de novembro de 2010

LAGOS ANDINOS PARTE II - CONHECENDO O CHILE

       O Chile tem o poder de nos maravilhar com suas belas paisagens e cidades, como a sua capital Santiago, que tem sua história contada em cada edifício e monumento e em outras pequenas, mas não menos interessantes que tive o prazer de conhecer. Sem falar na monumental Cordilheira dos Andes que fascina a todos com sua imponência e beleza.

SANTIAGO

       Depois de nos instalarmos no hotel Galerias, no centro de Santiago, junto com o guia da cidade, o Luís, fizemos um city tour para conhecê-la um pouco, os seus prédios históricos, como o Palácio de La Moneda, sede do governo federal, onde é possível assistir a troca da guarda na Plaza de La Constitución, dia sim, dia não, o que infelizmente não tivemos oportunidade de ver. Passeamos pelos seus bairros principais e fomos a Plaza de Armas que já foi o centro político, social e econômico e está rodeada por edifícios de importância histórica como a Catedral Metropolitana, os Correios e o prédio do Museu de História Nacional e da Prefeitura da cidade, esta praça é o palco constante de manifestações políticas e sociais.

Palácio de la Moneda

                                                          Catedral avariada pelo terremoto

       Fizemos um passeio meio frustrante ao Cerro San Cristóbal, a maior colina da cidade, transformada em Parque Metropolitano e de onde se tem uma bela vista de Santiago, já que o funicular e o teleférico que permitem o acesso a todo o parque estavam quebrados... Ficamos na metade do caminho... Restando apenas algumas fotos da bela vista da cidade...
       Como não poderia deixar de ter, fizemos um passeio gastronômico pelo Mercado Municipal com sua variedade de peixes e frutos do mar como a centolla, o loco, mariscos diversos e o seu rico artesanato, principalmente de produtos feitos com cerâmica, utensílios de cobre, estatuetas de madeira e as jóias em prata com a pedra lápis lazúli. Aí, almoçamos no restaurante El Galeon e pude degustar de um peixe saboroso denominado Reineta Austral, penso que um dos peixes mais gostosos que comi, fica como sugestão!

                              

       Passeando pela cidade, visitamos depois o Cerro Santa Lucía, localizado próximo ao belo edifício da Biblioteca Nacional, uma colina no centro da cidade, cheia de degraus, com um castelo e caminhos que nos levam ao cume e que nos permite ter uma visão panorâmica de toda a cidade cercada pela cordilheira, com o por do sol como vimos, vale a pena subir, embora sem esperar muito da estrutura pois não é bem conservado. Fiquei me devendo por falta de tempo conhecer La chascona, a casa de Pablo Neruda e o Museu de Arte Pré- colombiano, que estavam nos meus planos conhecer.
    
                          
                                     Santiago vista do alto do Cerro Santa Lucía

      Por indicação do Bira, nosso guia brasileiro, fomos jantar no Como Água para Chocolate, um restaurante aconchegante, uma agradável surpresa,situado no Pátio Bellavista, um centro gastronômico, cultural e turístico de Santiago, no bairro de Bellavista, considerado um bairro boêmio por reunir uma grande quantidade de restaurantes, cafés, teatros e uma grande feira de artesanato e onde nosso pequeno, mas animado grupo degustou a culinária típica chilena e provou do seu aperitivo, pisco sour, um drink preparado com pisco e limão, muito gostoso por sinal.
       Escolhemos fazer um passeio à vinícola Concha y Toro, e lá conhecemos seus parreirais, aprendemos um pouco sobre a fabricação do vinho, degustamos dois deliciosos vinhos reserva um da uva Carmenére, o Tinto (Marquês de Concha), e o reserva Sauvignon Blanc e Riesling (Late harvest), e como souvenir carregamos durante toda a viagem as duas taças da degustação, um presentinho de grego. Aí também podemos conhecer a lenda do vinho casillero Del diablo e fotografar a parte mais antiga da adega onde dizem se passou a lenda.

                          
                                  Parte antiga da adega com " El Diablo" ao fundo

      Em outro dia visitamos o centro de ski Valle Nevado, um complexo com toda infra-estrutura para quem gosta do esporte, que iria abrir sua estação somente daí a uma semana. A vista que se tem de todo a cordilheira é belíssima, são mais de 3000m de altitude e depois de subir mais de 50 curvas onde só andam carros de até médio porte, podemos desfrutar de sua bela paisagem e nos divertir brincando de skibunda e para esquentar degustamos na cafeteria um choconhaque.

PUERTO MONTT

      Visitamos o porto pesqueiro na próxima cidade de Puerto Montt, seu mercado de frutos do mar e peixes, de uma rica variedade de cores, tamanhos e cheiros até então desconhecidos, tinha como destaque a Centolla, um carangueijo gigante, o Congrio rosa, o Loco e passeamos também por sua feira de artesanato com artigos de lã de alpaca e ovelha, madeira e cerâmica, na avenida costeira. Nesta pequena cidade se dá o início da rota de travessia dos Lagos.

PUERTO VARAS

       Em Puerto Varas, próxima parada, nos hospedamos no hotel Cabañas del Lago situado na parte alta da cidade, estrategicamente localizado, com uma vista panorâmica da cidade, bem em frente ao Lago Llanquihue ( lago profundo) que de tão grande parece o mar, e com uma vista espetacular do vulcão Osorno (lugar onde mora o demônio) com seus 2652 metros de altitude e o Calbulco (águas azuis). No percurso da travessia até Bariloche (povo de trás da montanha), paramos nos saltos do Petrohué (lugar de neblina), que formam adiante o Lago Todos los Santos, com suas águas cor de esmeralda, que junto com o Lago Frias e Nahuel huapi (ilha do tigre) formam uma trilha de águas de Puerto Varas até Bariloche.

                          
              A cidade de  Puerto Varas e o lago Llanquihue vistos da varanda do hotel
                                            
                          

       À noite, sugerido pelo Bira, fomos passeando pela orla do Lago Llanquihue até o restaurante Fogón Las buenas brasas, um ambiente acolhedor com pratos clássicos de peixes e frutos do mar, onde servido pelo garçon brasileiro Max, podemos experimentar da centolla (puche de centolla) e do congrio rosa (congrio ao molho de camarão com arroz árabe) acompanhado de um delicioso suco de framboesa e seguido de uma deliciosa sobremesa, panqueca Alasca recheada de framboesa com calda de chocolate e framboesa, deliciosa!
       Daqui saímos para visitar uma cidade turística, antiga colônia alemã chamada Frutillar, situada na beira do Lago Llanquihue, maior lago do Chile. Nesse trecho a visão do vulcão Osorno é mais presente, linda... Depois atrelado a esse passeio ou vice-versa tentamos subir ao topo do vulcão para conhecê-lo mais de perto, mas o tempo não ajudou. Ficamos na metade do caminho, na primeira base, que se chega de teleférico, mas valeu à pena, seja pelo contato com a neve, seja pela fantástica paisagem.

                                               
                                                       Os companheiros de viagem   
                              
 
                                                            A Cafeteria do vulcão Osorno

       Apreciamos também nesta região, em um restaurante rústico Rancho Espantapájaros, situado em uma fazenda, uma outra forte influência gastronômica do local, as carnes de cordeiro e javali, criadas na própria fazenda junto a lhamas e avestruz. Degustamos de uma cozinha rústica, típica, onde experimentei da carne de javali, diga-se de passagem, macia e saborosissíma.
       Durante todo o trajeto seja de ônibus ou de barco, nem sempre o tempo ajudou principalmente na travessia de barco que é a alma do passeio, onde depositamos as expectativas da viagem, não aproveitamos muito bem das paisagens com o céu encoberto e muitas vezes chuviscando.

                          
                                           Nossa paisagem quase que constante

PEULLA

       Depois do sobe e desce de ônibus e de quase duas horas navegando no lago Todos los Santos, chegamos à pequena e tranqüila Peulla (brotos de primavera) parada obrigatória da travessia, onde nos hospedamos no hotel Natura Patagônia, um paraíso situado no meio do Parque Nacional e voltado para o lago, cercado por bosques e de toda a exuberância da natureza, uma paisagem privilegiada onde fechamos a noite na alegria de um belo e divertido jantar! Se o tempo estiver bom o que não foi nosso caso aí se pode praticar um turismo de aventura, seja arvorismo, cavalgada, passeios de lancha e de 4x4.

                          
                                                       Paisagem bucólica de Peulla

       No outro dia saímos em viajem por estradinhas estreitas, de paisagens bucólicas, onde impera a natureza. Fizemos os tramites de saída na Aduana Chilena, passamos pela Casa Pangui (cachorros de puma), da polícia da Patagônia e navegamos no Lago Frias com suas águas verdes até Puerto Frias onde se encontra a Aduana Argentina, completando a travessia do Parque Nacional Vicente Perez Rosales e chegando finalmente à fronteira Chile- Argentina, entrando no Parque Nacional Nahuel Huapi.

                          
Vista de Peulla e a estradinha bucólica saindo do Parque Nacional Vicente Perez

                           

       Confesso que passados cinco meses da viagem, a memória me traiu um pouco, afinal foram muitas informações, de vários guias, uns mais prolixos outros menos, Luis em Santiago, Elvis em Puerto Montt e Porto Varas, Victor em Peulla, Graciela em Bariloche e Gustavo em Buenos Aires, mas que, no entanto nos ensinaram e divertiram muito.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A MULHER NO PODER

       Pouco a pouco, discretamente as mulheres estão chegando cada vez mais ao poder. Será porque o mundo governado pelo homem não está dando muito certo? Ou será que se espera que elas levem para a política funções femininas que desempenham em casa, seja no trato com os filhos, seja na administração das despesas? Ou ainda que imbuídas de um instinto maternal elas sejam mais gentis, cuidadosas e até mesmo mais honestas?
        Inegavelmente a mulher construiu um espaço importante na nossa sociedade. Tivemos agora a eleição de Dilma Rousseff, primeira mulher presidente do Brasil, e o nosso estado, o Rio G. do Norte, terra de Alzira Soriano, a primeira prefeita (na cidade de Lages) da América do Sul, elegeu sua segunda governadora, Rosalba Ciarlini, tem como prefeita Micarla de Souza e elegeu agora sua primeira reitora, a professora Ângela Paiva.
        Graças a algumas das características femininas como a sensibilidade, a afetividade, uma percepção aguçada, acho que se espera dela, a forjadora de um mundo mais humano. Infelizmente nossa experiência aqui, por enquanto, vai de encontro a essa expectativa.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MÚSICA FRANCESA - FRANCIS CABREL

       Quem curte uma boa música francesa, já deve conhecê-lo. Assim como o cantor Henry Salvador, eu descobri o cantor e compositor francês, Francis Cabrel, no curso de francês. Sua voz melodiosa e contagiante tanto quando canta músicas românticas como as que falam do mundo ao seu redor, surgiu sob a influência de Bob Marley e de sua guitarra. Suas belas melodias fizeram dele uma das estrelas da música francesa. Músicas como, Petite Marie, Je L’aime à mourir,L’encre de tes yeux, je T’aimais, je t’aime et je t’aimerais e Il faudra Le dire são uma pequena mostra do repertório desse talentoso cantor.




Por Maryse432 no Youtube

terça-feira, 9 de novembro de 2010

PAUL MCCARTNEY NO BRASIL

       O show de Paul Mccartney em Porto Alegre (07/11) foi maravilhoso visto pelas imagens dos fãs que lá estiveram, foi emocionante...E do alto dos seus 68 anos ele se mostra muito bem disposto, simpático para com o público e arrebentando no que ele faz de melhor, cantar e mostrar que é uma lenda viva do rock. Estou em contagem regressiva para vê-lo ao vivo e a cores no Morumbi dia 21/11. Esse clipe de Ingowilges no youtube retrata bem como foi o show. De arrepiar!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

LAGOS ANDINOS PARTE I - UMA PARADA EM SP


      Só queremos um pé para visitar SP e sair da rotina de nossa cidade...Gostamos de viajar para SP e desfrutar de sua vida cultural, do que ela tem de plural como metrópole, bons restaurantes, bons espetáculos e eventos para todos os gostos e bolsos, é perfeita! Nesta breve estadia, de 04 a 06/06, escolhemos fechar a noite no D.O.M., o restaurante do Alex Atala. Pura sorte, não reservamos, mas qundo chegamos alguém havia desistido, uma mesa para quatro, perfeito! Com uma iluminação intimista e uma decoração clean, neste ambiente iluminado por um belíssimo lustre negro degustei de um dos melhores jantares de minha vida. O prato principal, um linguado com farofa de maracujá (não era qualquer farofa), vinagrete e arroz vermelho, era uma mistura sui gerneris de sabores que davam ao linguado (macio) um toque agridoce. A sobremesa denominada de priprioca, nada mais era que um pudim de leite, que nunca havia saboreado um igual, suave, que se desmanchava na boca, acompanhado de um ravioli de limão e banana ouro, novamente uma mistura de sabores agridoces típica da culinária de Alex Atala que brinca com diferentes ingredientes que parece não combinarem, mas que se complementam, se harmonizam. No final um jantar leve e soberbo.
        Corpos, a exposição




        No domingo, dia em que acontecia a parada gay, segundo maior evento da cidade, perdendo só para a Fórmula 1, fomos para o Parque Ibirapuera, mas precisamente para a Oca onde acontecia a exposição Corpos. Todo o espaço estava tomado por corpos humanos reais, em carne e osso, orgãos, músculos, nervos e veias, posicionados de forma a dar  idéia de movimento. À primeira vista parece bizarro, e não fugimos ao pensamento de que aqueles corpos pertenceram a alguém, e agora estão expostos daquela maneira, mas racionalizando vemos com interesse ao que eles se propõem, nos mostrar de uma forma didática como dar importância ao que levamos durante toda  a nossa vida, nossos corpos, e que muitas vezes não nos damos conta, cuidando de maneira correta, adequada. São impressionantes as imagens, e esteticamente o trabalho idealizado pelo professor Roy Glover é primoroso, rico em detalhes. Hoje esta exposição encontra-se no Park Shopping, em Brasília.


VIAJANDO POR PACOTE

      Devo a mim mesma a escrita deste post de muito tempo... Precisamente desde que cheguei da viagem aos Lagos Andinos de 06/06 à 19/06/2010. De lá para cá ocorreram tantas coisas, mudança, o próprio corre-corre diário que o tempo passou rapidinho... Decidi por escrevê-lo agora!
       Na maioria das vezes ao programarmos nossas viagens pesamos os prós e os contras de irmos de pacote ou por conta própria. Foram só duas vezes que optamos por pacote e para nossa sorte foram viagens excelentes, salvo o cansaço que causa esse tipo de viagem, mas que tiramos de letra já que nos disponibilizamos, estamos abertos a tudo para aproveitarmos bem a viagem.
        A primeira vez foi pela CVC/ Europamundo, quando viajamos pela Espanha, Itália e França. Fora o cansaço e o corre-corre com mala para cá e para lá, aproveitamos o máximo cada cantinho turístico ou não, já que sempre fazemos nosso roteirinho paralelo. Como iniciamos por Madri, nosso guia começou desde aí (cidade matriz da Europamundo), um excelente guia, diga-se de passagem, preparadíssimo e que certamente fez a diferença.
         Agora para os Lagos Andinos escolhemos novamente a cvc, e não foi diferente! Saímos de São Paulo já com nosso guia (o Bira) que foi durante toda a viagem a cabeça pensante para a solução de todos as questões práticas, nos restando apenas desfrutar os bons momentos e paisagens da viagem. Acho que tivemos sorte, não sei bem, mas fora as mudanças de transporte que fazem parte do trajeto dos Lagos (avião, ônibus e catamarã) que desgastam um pouco, fizemos uma viagem maravilhosa junto a um grupo divertidíssimo.
         Na minha pouca experiência, vejo que cada tipo de viagem tem seus prós e contras, quanto ao tipo de acomodação, por exemplo, você tem preferência por hotéis bem localizados, em pacote só ficamos em hotéis muiiito bons, mas um pouco distantes do centro das cidades. Fazer esse tipo de viagem requer disponibilidade para aceitar regras e horários, estar sempre atento ao que está incluso no pacote ou não e não aceitar todo passeio opcional oferecido pela agência, pois será nesse momento que você aproveitará para pôr em prática seu próprio roteiro e conhecer mais a cidade.
          Se um pacote assim atende as suas necessidades principalmente se você é marinheiro de primeira viagem e prefere ter o respaldo de profissionais preparados, essa é uma boa escolha. Já ao viajar por conta própria você planeja tudo o que quer conhecer, o tempo de permanência, o hotel com boa localização e bom preço, tudo de acordo com seu gosto com a vantagem de já começar a viajar na própria programação da viagem. Em ambos os casos, o que não se pode esquecer é de levar todos as informações impressas, reserva de hotéis, passagens e documentos que comprovem onde/que você adquiriu a compra da viagem, pois sem isso de repente se pode transformar um sonho em pesadelo.

  

terça-feira, 19 de outubro de 2010

GERMINAL

     Há poucos dias realizei a leitura do livro Germinal de Émile Zola que conta a saga dos mineiros nos primórdios da Revolução Industrial, suas condições de trabalho dentro da mina, e as articulações do movimento sindicalista que buscava uma humanização dessa atividade. Acompanhando ao resgate dos mineiros no Chile e lendo o que Zola escreveu àquela época na França percebe-se como o debate em relação às atividades exercidas por aqueles trabalhadores são atuais. Hoje, a mídia da era do reality show chama os mineiros resgatados de heróis, mas como aqueles, eles infelizmente são apenas sobreviventes de uma atividade tão desumana. Demos graças, porém à tecnologia! Já possuía este livro, mas como sou um pouco claustrofóbica parei em meio às idas e vindas dos mineiros ao trabalho, e agora envolvida pela expectativa do resgate retomei a leitura, para minha satisfação.  

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

COMER, REZAR E AMAR

     Fui assistir a Comer, Rezar e Amar. Bem aceito pela crítica e pelo público, o filme antes de tudo é leve, pura descontração, principalmente para mim que não sou crítica de cinema e vou somente com a intenção de me distrair, daí nem o perceber sendo de auto-ajuda como insistem em rotulá-lo. Ele possui sim uma trama suave, embora retrate as atribulações e superações que viveu sua personagem Liz na busca de equilíbrio e autodescoberta. O livro homônimo, que não li, é claro que descreve com mais detalhes, se aprofunda mais nos problemas existenciais da Liz/Julia Roberts, que, diga-se de passagem, está belíssima com seu sorriso radiante de encher a tela. Gostei, a mensagem principal foi passada, as cidades, Roma, Índia e Bali são mostradas por belas fotografias, inspiradoras de um “dolce far niente” e são embaladas pelo suave balanço de músicas como "Wave", "Samba da benção" e "Harvest moon" que sugerem de bom para viver a vida apenas três verbos, Comer, Rezar e Amar...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

PAISAGENS VISTAS DO ALTO

         Visitando o blog Viaje na viagem de Ricardo Freire encontrei um post recente sobre os 10 lugares para ver Paris e percebi o quanto estamos sempre buscando nas alturas encontrar um melhor mirador. Do alto dos lugares mais incríveis levamos nossa visão ao infinito, desejando trazer para perto o inalcançável. No Rio, por exemplo, o contorno do Pão de Açúcar é maravilhoso, mas é para lá que subimos e nos deparamos com a mais linda paisagem! Sempre do alto, é preciso estar nele para se ver revelar diante de nós estas maravilhas. Já perdi a conta dos degraus, das árvores, dos pequenos morros que precisei subir para de lá poder ver, apreciar aquele lugar, aquela cidade, o horizonte com outros olhos, sob outra perspectiva.


 Vista do avião: Vulcões Osorno e Pontiagudo.

 A Cordilheira vista do Cerro de Santa Lucia em Santiago.

               Na roda gigante do Jardim das Tulherias em Paris


 Lisboa vista do mirante do Castelo de São Jorge


    Do alto da Basílica di Santa Maria del Fiore em Florença

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NAS NUVENS

O ÚLTIMO ANDAR

No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua no terraço
fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.

De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.

Cecília Meireles, (Ou isto ou aquilo)

Ao encontrar este poema de Cecília Meireles me identifiquei imediatamente com ele. Como ele ilustrava bem o que eu sinto! Afinal desde que fui morar em apartamento cultivo um desejo: morar no último andar. Há um mês estou morando no último andar, o 25° andar... E confesso é muito mais bonito olhar a vida aqui de cima. A cidade se descortina, se mostra inteira até o perder de vista. De minha cidade, hoje vejo o mar, o rio, suas dunas e como não poderia deixar de ser, a sua verticalização, cada vez mais acelerada. Como diz Cecília, tudo parece perto... Até a lua!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

SOBRE VIAGENS

Abrindo um parêntese na leitura dos autores franceses que venho fazendo, descontraí na leitura despretensiosa de Fazendo as malas e De malas prontas, ambos de Danuza Leão. A escolha é claro, graças a sua (nossa) paixão por Paris, citada nos dois livros. Não se trata de guias turísticos, longe disso, escritos de maneira simples, objetiva e com certo toque de ironia, com um estilo próprio de quem sabe que sabe, neles ela descreve de maneira descontraída e irreverente sobre cidades como Sevilha, Lisboa, Paris, Roma, São Paulo, Buenos Aires, Berlim e Londres e dá dicas, não as obvias, sobre hotéis, bares, lojas e restaurantes dessas cidades.
            
               
Sobre Paris, ela confessa, “Desde que pus os pés em Paris pela primeira vez, soube que iria amar aquela cidade profundamente, até o fim dos meus dias”. E com propriedade ela discorre sobre as coisas que mais a encantam em Paris como os restaurantes, os cafés, as ruas, os prédios, os bistrôs e a tradição ilustrados no parágrafo, “Certos lugares de Paris não mudam; dia desses estava olhando uma foto do Café de Flore dos anos 50, e fora a maneira como as pessoas se vestiam, tudo está exatamente igual. O toldo, a varanda, as mesas, a roupa dos garçons, o menu. Paris dá a sensação de que as coisas são permanentes, e essa é uma boa sensação”. E quando descreve com paixão e saudosismo de seu bairro “amado”, o Saint Germain.

Em Fazendo as Malas ela finaliza com um toque de humor alertando que, “Com todas as agruras que é viajar hoje em dia – as filas no check-in, as revistas para ver se você não é terrorista, as malas que são desfeitas e refeitas -, viajar ainda é das melhores coisas do mundo, e é bom aproveitar agora, já, porque os chineses estão chegando”.

E ela tem toda a razão, viajar é tudo de bom! Ir à Paris então... nem fale!

 

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