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quarta-feira, 30 de março de 2011

CHILE - CASAS MUSEUS DE NERUDA - PARTE III - ISLA NEGRA

          E finalmente visitamos a última casa de Pablo Neruda. Em Isla Negra que não é precisamente uma ilha está a casa preferida de Neruda e talvez por isso a maior e mais completa, onde ele exerceu o máximo possível sua característica de“coisista”. Ao contrário das outras, aqui o desenho do barco está em um nível só, e parece poeticamente ancorado lá no alto. Dispostos nos jardins uma fonte, um campanário, um barco, uma âncora completam harmonicamente a paisagem do lugar.
         Na visita que é guiada descobrimos cômodo a cômodo como alguns objetos eram uma fonte constante de inspiração para ele, são diversas coleções, de garrafas, esculturas impressionantes de mulheres talhadas na madeira, coleções de garrafas coloridas dos mais variados modelos, máscaras, sapatos antigos, instrumentos de corda que ele não sabia tocar...
         Ali percebemos o quanto Pablo Neruda decorou cada canto da casa com suas coleções mais importantes como, esculturas, adornos, pinturas e livros, e como que elas tinham alguma relação com o mar. São barcos dentro de garrafas, réplicas de veleiros, conchas, dentes de baleia. A simbologia desses objetos, o entorno privilegiado pela presença do mar faz de Isla Negra uma representação real, concreta do seu imaginário poético.
         É a maior das casas pois passou por várias ampliações para dar lugar a todas as suas coleções, era como se ele quisesse espaço para trazer com ele todo o mundo que ele conheceu, ali representado por tantos objetos cheios de história. Em homenagem a vários poetas amigos que haviam morrido, ele gravou seus nomes nas madeiras do bar, uma torre foi construída na casa para lembrar sua moradia quando criança em Temuco, e faz as vezes de porta de entrada, uma sala para um cavalo em tamanho natural que ganhou de presente...Nesta casa Neruda escreveu parte importante de sua obra como Canto Geral, onde ele escreveu no seu poema Disposições um desejo seu, realizado quando de sua morte...

            “Compañeros, enterradme en Isla Negra, / frente al mar que conozco, a cada área rugosa de piedras/ y de olas que mis ojos perdidos/ no volverán a ver...”
                                        
                                                      As belas paisagens de Isla Negra
                                   





O símbolo da Fundaçâo



Foto do site da Fundação - Esculturas eem madeira

Foto do site da Fundação - A sala de estar

Foto do site da Fundação - A sala do cavalo

Foto do site da Fundação - A sala das conchas

Foto do site da Fundação - O escritório

Foto do site da Fundação - A sala de jantar
A última morada junto a Matilde

segunda-feira, 28 de março de 2011

CHILE - CASAS MUSEUS DE NERUDA - PARTE II - LA SEBASTIANA

        "La Sebastiana" foi a segunda casa que visitamos e é assim chamada em homenagem ao seu construtor e primeiro morador, Sebastián Collado, um espanhol que, depois de procurar por um lugar de onde ele poderia ter uma visão completa de Valparaíso, começou a construir esta casa com o propósito de viver lá, quando seus filhos se casassem. Sebastião veio a falecer e procurando por um imóvel onde pudesse descansar de suas andanças e da vida em Santiago, Neruda a encontrou e comprou. Assim chamando-a ele dizia estar homenageando um homem que mesmo não sendo um poeta de versos o era da construção.
         Depois de inserir na casa seu estilo característico, náutico e de um apaixonado colecionador em 18 de setembro de 1961 ele inaugurou a casa com grande festa convidando todos seus amigos para comemorar. Desde então, ele lá morou em vários períodos e principalmente nos períodos de final de ano para comemorar o Ano Novo, inclusive o último que viu nascer, 1973. Com a vista privilegiada podia contemplar o tradicional espetáculo pirotécnico que havia no porto. Enquanto esteve lá, escreveu muitas obras importantes que o consagrou e o fez ganhar o prêmio Nobel de Literatura em 1971.
         A casa é bem maior que La Chascona e é composta de vários níveis com acesso por muitas escadinhas estreitas e aqui a particularidade é que podemos visitá-la e passear por jardins e pelo seu interior sem um guia, mas com um audioguia, um aparelhinho parecido um telefone onde vão sendo indicados todos os locais e contados os fatos relacionados aos mesmos e a vida de Pablo Neruda. São cinco andares, o primeiro andar ou entrada Velasco, é composto de quadros contando a vida de Neruda. Subindo uma escada em espiral chega-se ao segundo andar.
         O segundo andar é a entrada original da casa, indo no corredor em direção a antiga porta duas belas esculturas douradas de mulher emolduram a porta. Já no andar propriamente dito, o terceiro, a sala e a sala de jantar encontram-se, por exemplo, a mesa posta com belas louças, um cavalo talhado em madeira trazido de Paris, uma grande poltrona em couro La Nube onde Neruda sentava para contemplar o mar pelos grandes painéis de vidro e que nos chama à atenção. Uma coleção de garrafas coloridas de várias formas completa a decoração junto a um bar, onde Neruda preparava drinques, para os seus amigos.
        No quarto andar, está o que costumava ser o quarto e o banheiro de Neruda. Junto à cama de ferro uma cômoda trazida de um navio. "Eu sou um marinheiro de boca", dizia ele, porque ele preferia olhar para o mar a partir de terra e navegar no oceano. De lá, ele tinha uma impressionante vista panorâmica de toda a Valparaíso.
        No quinto andar está o escritório com sua mesa de trabalho posta sempre próxima à janela com uma vista inspiradora para seus poemas e também um grande mapa da América cobre a parede.
        Na casa se conservam ainda coleções de mapas antigos, de marinas e outras pinturas, peças curiosas como caixas de músicas e relíquias trazidas do porto e das suas muitas viagens.
        La Sebastiana também foi saqueada depois do golpe militar, mas foi restaurada graças ao apoio da Telefônica da Espanha em 1991, ano em que foi inaugurado o Museu, e em 1997 também com o apoio da Telefônica foi criado o Centro Cultural, um anexo da casa.

Entrada da Casa

Paisagem vista da sala

As paisagens que ele desfrutava

Facha da casa - os vários níveis

Foto do site da Fundação - Escrivaninha na sala e a
vista inspiradora

Foto do site da Fundação - O cantinho preferido

Foto do site da Fundação - A sala e o cavalo

Foto do site da Fundação - Suas várias coleções

sábado, 26 de março de 2011

CHILE - CASAS MUSEUS DE NERUDA - PARTE I - LA CHASCONA

         Quando começamos as visitas das casas de Neruda felizmente e pela própria localização fomos primeiro a La Chascona, depois La Sebastiana, em Valparaiso e finalmente a de Isla Negra. Mesmo não sendo a seqüência em que foram construídas para mim foi a de surpresas, da mais simples para a mais completa!
         La Chascona como eu já contei era a casa de Matilde Urrutia e Neruda, quando o amor era ainda às escondidas por ele ser ainda casado com Delia e assim foi chamada pelo apelido que ele lhes dera pelos seus cabelos desgrenhados, desarrumados. O terreno lhe chamou atenção por ter um córrego que desaguava em forma de cascata e foi o que os impressionou. A construção foi encomendada ao arquiteto Gérman Rodrigues Arias, mas Neruda tanto interviu que o próprio arquiteto confessava não ser bem ele o autor do projeto e sim de Neruda. No primeiro momento como Matilde vivia lá sozinha havia apenas uma sala e um quarto, depois veio à cozinha e uma sala de jantar e finalmente o bar e a biblioteca que foram sendo construídos em planos diferentes de modo que se tivesse uma bela vista, os quartos e os jardins também como estão em planos diferentes possuem uma bela vista de Santiago e da cordilheira, hoje as construções já impedem um tanto essa visão. Houve algumas modificações em decorrência de inundações, mas que foram feitas adequadamente com a colocação de escadinhas, passarelas e jardins. O bar está ali para mostrar o quão gregário ele era, estava sempre rodeado de amigos, era famoso por suas festas e em torno dele aconteciam muitas conversas animadas.
         A configuração da casa é para lembrar um barco e a vida dentro dele, tetos baixos, piso em declive o que vamos perceber em todas as outras casas, a sua grande paixão pelo mar. É uma visão poética de Neruda como uma reaproximação da sua terra e o mundo que ele desbravava, de como ele se apropriava emocionalmente desse mundo expresso na sua mistura eclética de objetos de arte e de diversos artefatos como garrafas, esculturas, estátuas de madeira da Ilha de Páscoa, pesos de papel, miniaturas de navios, bonecas russas e uma grande coleção de livros. Por essa sua característica ele se denominava um “coisista”, um colecionador de muitas coisas, presentes de amigos e adquiridos em suas viagens. Na sala de estar em destaque na primeira sala um retrato enigmático de mulher feito pelo amigo Diego Rivera que conhecedor do amor clandestino com Matilde retratou as duas mulheres e ao fundo nos cabelos revoltos de Matilde pôs escondido um perfil de Neruda, achei bem interessante!

                       Fotos dos jardins e fachadas da casa, dos anexos como o bar e a biblioteca






Foto do site da Fundação - Fachada externa

Foto do site da Fundação - Interior da Biblioteca

Foto do site da Fundaçõa - Jantar íntimo

Foto do site da Fundação - Sala de jantar com vista do jardim
         La Chascona teve seus tempos de glória e de destruição, quando do golpe militar, o exército saqueou e muitos de seus objetos de artes e das coleções de Neruda foram destruídos. Depois da morte de Neruda, Matilde reparou seus danos e a casa foi renascendo para ser o que é hoje, um museu onde também funciona um café bem pequeno com vista para o jardim, uma loja de artigos como livros e souvenirs e a Fundação Pablo Neruda que tem como objetivo difundir a vida e a obra do poeta.
        A visita à La Chascona é deliciosamente guiada por experientes guias e se vai escutando de cômodo a cômodo as histórias do casal e de como montaram cada cantinho. Deve ser marcada com pelo menos uma hora de antecedência com risco de não conseguir um horário, de terça a domingo, sendo que as fotografias estão proibidas no interior da casa.

quarta-feira, 23 de março de 2011

UM PARÊNTESE - PABLO NERUDA - O POETA DO CHILE E DO MUNDO

    
         Quando nos propomos a voltar para conhecer melhor Santiago logo decidi entre tantos atrativos visitar as Casas Museus de Pablo Neruda. Meu primeiro contato com sua literatura foi em forma de prosa, o livro Confesso que vivi, que li nos idos dos anos 70. Nunca esqueci, foi surpreendente para minha cabecinha de adolescente. E então me surgiu à oportunidade de ver de perto fragmentos da sua vida tão rica, produtiva e emocionante. Desculpem o longo texto, afinal Pablo Neruda é patrimônio chileno! Então vamos conhecer um pouco dele para conhecer depois suas casas...
         O nome Pablo Neruda é um pseudônimo (homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda e ao francês Paul Verlaine) de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto que nasceu em Parral (Chile) em 12 de janeiro de 1904. Durante sua vida foi escritor, cônsul e diplomata. Como escritor sua obra é extensa e em 1971 foi homenageado ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Entre 1927 e 1935, o Governo o colocou no comando de vários consulados honorários, que o levou a viajar para a Birmânia, Ceilão, Java, Colombo, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e à Madrid. Em cada cidade continua com seus escritos e participando de eventos ligados a literatura tanto quanto de suas funções diplomáticas. No período em que esteve no Oriente escreveu a maior parte de um de seus livros mais importantes Residencia em la tierra.
          Em 1930 casou com a holandesa María Antonieta Haagenar Vogelzang. Em 1934 como cônsul em Barcelona nasce sua filha e depois ao ser nomeado cônsul para a embaixada em Madrid fixa aí residência e deixa mãe e filha em Barcelona, começando então a viver com Delia Carril. Em 1936 com a guerra civil espanhola e a morte de Garcia Lorca, Neruda contrariando a neutralidade exigida por seu cargo demonstra simpatia pela causa republicana levando o governo a fechar o consulado em Madri alegando falta de garantias e não destinando mais cargo algum para ele. Depois de um período em Paris defendendo os direitos do povo espanhol volta ao Chile com Delia e lança o livro España em El corazón. Quando em 1939, foi nomeado cônsul para a imigração espanhola indo residir em Paris, aí vencendo dificuldades políticas e econômicas organiza a transferência para o Chile de 2000 refugiados espanhóis. Neste ano também compra a casa de Isla Negra. Em 1940 depois de muitas homenagens pelo seu feito pelos espanhóis é designado Cônsul Geral no México aonde veio a escrever o seu famoso e épico livro de poesias Canto Geral. Em meio a muitas viagens, poemas, problemas de saúde, em 1943 recebe a notícia da morte de sua filha Malva.
          Em 1945 ao voltar ao Chile foi eleito senador pelo Partido Comunista do Chile e mesmo como político, lutando pelos direitos dos trabalhadores vários prêmios como literato lhes são concedidos. Participando ativamente da vida política trabalha na campanha para presidente de González Videla que vem a ganhar a eleição e ao ganhar rompe com o partido comunista  passando a perseguir seus integrantes dando ínicio a uma longa batalha pessoal entre os dois, Neruda e Videla. Neruda recebe mostras de solidariedade de todo o mundo e vai viver na clandestinidade. Devido às circunstâncias políticas volta a deixar o Chile vivendo em exílio na Europa e depois de viver em diferentes países europeus retornou ao Chile em 1952. O livro As Uvas e o Vento retratam esse período do exílio. Neste período viajou por toda a Europa participando ativamente e fazendo seus poemas sob a luz de seus ideais políticos. Como havia conhecido Matilde, em 1951 encontra-se com ela em Paris e durante todo o seu período de exílio viveu a clandestinidade de seu novo amor com apoio de amigos mais próximos. Seus encontros são intercalados por várias viagens com Delia pela Europa. Em 52, enquanto Delia procurava abrir o caminho para o retorno de Neruda ao Chile, este junto a Matilde viviam seu amor que foi inspiração para Los Versos Del Capitán.
         A ordem instalada no Chile, Neruda retorna, vive com Delia Carril, mas encontra um terreno próximo ao Cerro San Cristóbal para construir uma casa para Matilde, La Chascona. Em 1955 depois de muitos livros importantes como, Todo El Amor, Antologia poesia política e Las Odas Elementales seguidos de várias homenagens ele rompe definitivamente com Delia e começa a viver com Matilde publicando em seguida seu livro Viagens. Nos anos seguintes vários livros como, Cem sonetos de amor, Canción de Geste em homenagem a revolução cubana e Las Piedras de Chile são publicados. Em setembro de 1961 inaugura sua casa em Valparaíso, La Sebastiana.
        No ano seguinte tem sua vida publicada em forma de memórias pela revista brasileira O Cruzeiro que servirá mais tarde como material para seu livro Confesso que vivi publicado postumamente em 1974. Ainda neste ano viaja para a Europa com Matilde e lança o livro Plenos Poderes. Daí em diante foi várias viagens, Paris, Moscou, Hungria, Berlim Oriental, Londres, Itália, Iugoslávia, Finlândia para recitais, encontros de poesias, congressos e reuniões de toda espécie. Viajaram também aos Estados Unidos e México onde lhes são concedidos vários títulos, condecorações e prêmios por suas poesias. Em outubro de 1966 por se saber viúvo de sua primeira esposa, casa-se com Matilde em uma cerimônia civil em Isla Negra. Volta a viajar para Moscou, Barcelona, Budapeste, Paris e Inglaterra em virtude do sucesso de seus escritos, de suas poesias e em conseqüência muitos livros, artigos são escritos em sua homenagem, sobre sua pessoa e seus poemas. A cada dia são intermináveis homenagens e prêmios.
        Em setembro de 1970 Salvador Allende é eleito presidente, e durante este governo é nomeado embaixador na França, aonde começam a aparecer os sintomas de sua enfermidade já antes diagnosticada. Em outubro de 1971 lhe foi concedido o Prêmio Nobel de Literatura e mesmo doente, convalescendo de uma cirurgia de próstata viaja à Estocolmo para receber o prêmio, depois, para a Polônia, Milão, Estados Unidos e como sofreu uma recaída foi a Moscou consultar-se lá com especialistas, viajando ainda à Londres para o Festival Internacional de Poesia. Em 1972 retorna à Santiago e em 1973 renuncia por motivos de saúde do cargo de embaixador e vivendo durante meses de saúde instável assiste ao golpe de Estado no Chile em 11 de setembro seguido do suicídio do Presidente Allende e vê com a instauração da junta de governo de Pinochet, com suas medidas repressivas seus amigos serem presos ou se exilarem, suas casas serem saqueadas, seus bens destruídos, sucumbindo, morre em 23 de setembro sendo seu funeral considerado um ato de resistência ao governo militar.

        -Texto escrito com base em informações do site da Fundação Pablo Neruda.

Sê (Pablo Neruda)
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

             

segunda-feira, 21 de março de 2011

CHILE - ISLA NEGRA E A VIÑA MATETIC

         Mais um dia de passeio começava...
         O nosso passeio seria para Isla Negra e uma vinícola do Vale de Casablanca. Este vale que fica a mais ou menos 45 minutos de Santiago em direção à Costa Central tem como característica principal o cultivo de uvas brancas, mas que vem se diversificando com a presença de cepas de outros tipos de uvas. A vinha escolhida pela agência era a Matetic. Não sou conhecedora de vinhos, mas confesso que nunca havia antes escutado falar dessa vinícola. Ela se destaca por ter uma produção de vinhos orgânicos e biodinâmicos, orgânico por utilizar adubos e sais naturais e fazer o controle natural das pragas. Já o biodinamismo refere-se ao princípio da vida, do equilíbrio da natureza utilizando a energia solar e da terra, da preservação da terra utilizando produtos com baixos recursos energéticos e de produtos nocivos ao meio ambiente com a plantação de outras espécies que desviem ou alertem do intruso e como vimos lá, simulação de tiros aleatórios para assustar pássaros que destroem as cepas e como também sem a utilização de conservantes e assim produzir vinhos mais naturais, de terroir, sem a interferência da mão do homem. Não sei se me fiz entender, me repeti, me enrolei, mas não é tão fácil para mim, são conceitos de técnicas que se complementam e ambas buscam interferir o mínimo possível no meio ambiente para no final ter um produto o mais natural! No caso da Matetic o uso dos dois princípios é fruto da inspiração em um modelo americano, acho que por isso é um tanto árido, diferente de outras vinícolas que são mais aconlhedoras que nos transportam para a Itália, e que é totalmente orientada pela cartilha da sustentabilidade seja baseando o cultivo quanto à vinificação aos princípios orgânicos como biodinâmicos fazendo uso também de uma arquitetura totalmente ecológica. A vinícola é subterrânea e nas etapas de fabricação do vinho cada local foi construído de maneira adequada fazendo uso dos recursos naturais para um melhor resultado. Houve para variar uma degustação de vinhos... Segundo meu marido o vinho é muito bom!

A vinícola Matetic

Ao fundo os parreirais

Mais parreiras

O armazenamento e as paredes de pedras acomodadas por
uma tela de arame

A baixa temperatura

         Continuando nosso passeio chegamos a El Tabo, um povoado de Isla Negra onde fomos almoçar. Já não concordamos muito com a escolha da localidade e do restaurante. Fazer o quê?! Eles têm lá os esquemas entre eles. Não lembro o nome do restaurante que não merecia esse destaque, para não errar escolhi sanduiche e mesmo assim errei , terrível! El Tabo é uma praia. Fomos até a beira mar, era domingo e a praia estava cheia de visitantes. Pitoresco era que ao contrário de nós eles não usavam roupa de banho, era traje comum, blusas, camisas, shorts, calças e até tênis! Deitam na areia, tomam banho, praticam esportes assim vestidos. Bom, depois daí partimos para Isla Negra. Alí é exclusivamente conhecer a casa museu de Neruda, lugar que permanece como seu último descanso.

El Tabo - a praia


A casa museu de Neruda

Isla Negra - a praia

O último descanso de Matilda e Neruda

Uma bela casa - um museu

A bela vista de Isla Negra
        O passeio só se justifica pela visita ao Museu! Uma pena... Não posso dizer que conheci a bela Isla Negra!

sábado, 19 de março de 2011

CHILE - VINÃ DEL MAR E VALPARAíSO - 4º DIA

         Como viajei com o propósito de conhecer todas as casas de Neruda, decidimos procurar uma agência para fazer os passeios a Valparaíso e Isla Negra onde estão as outras duas casas museus. Daqui mesmo agendei os dois passeios, o de Valparaíso vem atrelado a uma visita a cidade de Viña Del Mar que fica coladinha uma na outra, quase não se precisa onde termina uma e começa a outra. E o outro passeio de Isla Negra vem acompanhado de uma visita a uma vinícola do Vale de Casablanca.
        O nosso primeiro passeio foi o de Valparaíso e Viña Del Mar, duas cidades costeiras que ficam à uma hora e vinte minutos de Santiago. Começamos por Viña, também chamada de Cidade Jardim, claro, que por ter muitos jardins e o principal deles representado por um emblemático relógio de flores sempre cercado de muitos turistas e suas máquinas fotográficas. Foi tudo muito rápido, um city tour comentado, passando pela praça, a Catedral, o Cassino Municipal, a Biblioteca ainda bastante deteriorada pelo terremoto, o Museu Arqueológico Francisco Fonck com sua principal atração um Moai original da Ilha de Pascoa com direito a dançarinas fazendo um número de dança originária da Ilha. Vimos o belo parque Quinta Vergara que infelizmente estava fechado, com seus monumentos na entrada homenageando os grandes poetas chilenos Gabriela Mistral e Pablo Neruda por serem ganhadores do Premio Nobel, e que mesmo no coração da cidade é formado por uma extensa área verde composta de grandes jardins, floresta, escadinhas, caminhos, uma colina e um anfiteatro que serve em fevereiro para o Festival Internacional da Canção e em outubro para o Festival de Cinema de Vinã Del Mar, onde se encontra também o Museu de Belas Artes. Embora seja uma cidade moderna aí ainda se vê muitas charretes chamadas de Victorias, transporte típico da região muito usado por turistas para conhecer a cidade em grande estilo. Fizemos um passeio pela orla com suas construções em forma de degraus que desce seguindo o relevo e sua brisa fresca do pacífico. É uma cidade onde uma nova arquitetura convive de maneira planejada com o antigo. Na bonita orla se encontra o Restaurante Castillo Del Mar, onde almoçamos e invariavelmente tomei meu suco de framboesa e o marido um pisco sour para acompanhar nosso prato, Palta cardeal, que nada mais é do que abacate coberto com centolla (que é aquela espécie de caranguejo gigante típico do Chile) cozida ao vapor, muito gostoso, mas com muito abacate para pouca centolla...
O Moai no Museu Fonck

Dançarinas típicas

A Biblioteca

A orla marítima, águas do Pacífico

A orla vista do ônibus

Esculturas de areia

O famoso relógio

Belos jardins

Meio de transporte típico

O Restaurante Castillo del Mar

Paisagem da orla vista de um mirante

A Palta Cardeal

          Já Valparaíso que foi por muito tempo a vizinha rica e desenvolvida em decorrência de seu outrora famoso porto foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pelo charme de suas fachadas cheias de história e também é sede do Congresso Nacional desde 1980. É tradição também quanto ao ensino superior oferecido pelas suas cinco grandes universidades públicas, com destaque para a Universidad Técnica Federico Santa María que funciona em um belíssimo prédio. Sua arquitetura diversificada de construções antigas e modernas em bairros coloridos que descem a encosta empresta a cidade uma paisagem diferente, singular.  Esta é uma das características interessantes desta cidade, a verticalidade que tem como consequência a presença de elevadores que sobem e descem de seus morros. Parece que parou no tempo com seus ônibus elétricos que hoje são considerados um transporte que não polui e por isso terá seu sistema ampliado, e seus elevadores pitorescos (hoje muitos deles se encontram quebrados) que permitem o acesso aos bairros mais altos e é um símbolo da cidade.Tem a aparência de cidades do século passado e possui muitos edifícios em mau estado de conservação, é uma viagem no tempo. Aí visitamos a segunda casa de Pablo Neruda, La Sebastiana, a Plaza de Sotomayor onde ficam o edifício da Armada do Chile e o imponente monumento aos heróis de Iquique, heróis esses da guerra do Pacífico entre Chile e Peru que tinha como aliada a Bolívia.
A Estação e os ônibus elétricos

A cidade e o Pacífico vistos da casa de Neruda

A Plaza de Sotomayor

O Edifício da Armada

Monumento aos heróis de Iquique

La Sebastiana - A casa de Neruda
Porto de Valparaíso - Foto de Sérgio Schmiegelow

         Os passeios que fizemos com a Turistour foram caros e não tão proveitosos. Não sei se por outra empresa seriam mais interessantes. Vimos o basicão, neste dia nossa guia Viviana era mais animada e falante, nos forneceu muitas informações. Já no passeio seguinte de Isla Negra, o guia Raime, um senhor meio fechado que pouco falou, embora demonstrasse conhecimento, conversava quando era questionado por alguém em particular. Acho, não, tenho certeza, que os passeios foram muiiito caros para o que nos foi oferecido. Portanto se você não tem tanto interesse em conhecer as casas de Neruda como eu tinha não indico esta empresa para a realização destes passeios. Fiquei um pouco decepcionada, minha recompensa foram os Museus Neruda.
         Com reserva feita para jantar, a noite ainda nos revelaria uma bela surpresa, a maior que tivemos uma experiência gastronômica que de tão especial será descrita em um futuro post.

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