Páginas

segunda-feira, 30 de maio de 2011

MONTEVIDÉU - UM OLHAR DIFERENTE

            Andar pelas cidades, flanar... Nesta gostosa atividade de tudo se vê, de um tudo se descobre!
           Assim nos deparamos por indicação do recepcionista do Museu Gurvich com um Museu de Azulejos. Para mim inédito! Um espaço com 4.500 azulejos de épocas e estilos diferentes distribuídos em três andares de um modesto edifício no centro da cidade. Eram azulejos valencianos e franceses desde o início do século XX. Catalães, napolitanos, valencianos dos séculos XVIII e XIX pintados a mão. Espanhóis de Sevilha desde o séc. XV com cenas do cotidiano, com brasões e cenas com D. Quixote. Alemães em alto relevo. Ingleses do final do séc. XIX. Franceses com figuras geométricas, flechas e arabescos do séc. XIX. O inesperado e que fugindo do circuito turístico a recepcionista acho que por incredulidade nos encheu de perguntados sobre a nossa descoberta do museu.










            Voltando a 18 de julho nos deparamos com a Plaza Fabini onde ao som de tangos tocados em um aparelho de som diversos casais da terceira idade balançavam seus corpos na tentativa de ousadas performances. Mais alguns ficavam sentados e ao fim de cada música se revezavam a bailar.




            Continuando nosso passeio em meio ao transitar de pessoas no seu ir e vir diário ou necessário encontramos em uma esquina movimentada a Fonte dos cadeados que possui a lenda que diz que quem ali colocar um cadeado com as duas iniciais de pessoas que se amam ali voltarão juntas e terão a promessa de um juntos para sempre.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

MONTEVIDÉU - DESCOBRINDO A CIDADE

           Começamos o outro dia fazendo uma visita guiada ao Teatro Solis, muito interessante e divertida. Ao passo que nossa guia nos informava sobre a História do teatro éramos interrompidos por um grupo de atores que representavam um texto leve e divertido de um pequeno entrevero amoroso. O teatro inaugurado em 1856 passou por recente revitalização e é um edifício com uma arquitetura muito bonita sem, no entanto ser imponente. Saindo de lá foi que nos deparamos com a greve e optamos em fazer um city tour.   


           Contratada a empresa, nosso passeio começou pela bela Plaza Independencia que separa a cidade velha da cidade nova e que tem ao centro o grande monumento em homenagem ao General Artigas, o homem que proclamou a independência do Uruguai, e que possui no seu subsolo um imponente mausoléu construído em 19/06/1999 onde estão guardadas as suas cinzas, ao seu redor estão trinta e três palmeiras representando os trinta e três orientais, não pessoas nascidas no oriente(risos), mas daquela região o lado oriental do Rio da Prata, que formavam o movimento encabeçado por Antonio Lavalleja para declarar a independência do território oriental. Nesta praça se encontra ainda o famoso cartão postal da cidade o edifício Palácio Salvo, uma construção de 1928 na época o edifício mais alto e que hoje sem grande pompa serve como moradia para famílias que trabalham no centro da cidade. Segundo regras vigentes são permitidas hoje construções de edifícios com no máximo 25 andares. Nesta praça é onde se encontra o Tetro Solis e o Edifício Torre da Presidência onde desde 2002 trabalha o presidente do país. No inicio da praça e dividindo o lado velho e o novo da cidade se encontra a Puerta de La Ciudadela uma porta da época colonial em que a cidade era cercada por uma muralha, sendo a porta, um marco para o inicio da Ciudad Vieja.

Monumento ao General Artigas e  Ed. Torre da Presidência

Entrada para o subsolo onde se encontra o Mausoléu

Edifício Salvo

Puerta de la Ciudadela
           Percorremos no nosso tour a área do porto passando pela grande torre de Telecomunicações da ANTEL, por fábricas, e na parte mais nova da cidade pelos bairros do Carrasco com suas residências chiques e várias embaixadas e do Prado com seu grande parque homônimo. Seguindo nos deparamos com a belíssima construção do Palácio Legislativo, um marco da construção uruguaia, um grande monumento todo em mármore e que fica bem distante do centro. Sua inauguração ocorreu em 1925 no centenário da independência e em 1975 foi declarado Patrimônio Histórico Nacional.

Palácio Legislativo
           Continuamos contornando o Parque Batlle entrando no bairro de Pocitos, de Ponta Gorda de onde se tem uma bela vista da costa e de Montevidéu vistos lá da Plaza de la armada. Contornando a cidade existe 60 km de rambla, a avenida beira-mar ou beira-rio (risos) denominada nações unidas por ter cada uma o nome de um país, onde estava localizado nosso hotel, por exemplo, era na rambla Gran Bretaña. Segundo a nossa guia Adriana toda a costa possui praias de águas limpas por existir um coletor em toda ela que evita sua contaminação.



           Já no dia seguinte partindo do Paseo Sarandi, uma rua de pedestres que começa desde a Puerta de La Ciudadela e vai até a Rambla Francia visitamos o Museu Torres Garcia, nesta mesma rua. O museu particular expõe a arte do pintor e escultor uruguaio Joaquin Torres Garcia, grande nome das artes daquele país. É um museu pequeno com dois andares com mostra de sua vida e a criação de suas obras. Ele percorreu diversas etapas na sua arte, uma denominada de mediterrânea, depois em muitas de suas viagens ingressou na modernidade, na dos brinquedos de montar e se destacou mesmo com o criador do universalismo construtivo realizado através de símbolos, iniciando uma nova era na arte de criar.


O Universalismo Construtivo

            Atravessando a Puerta de La Ciudadela fomos visitar o mausoléu no subsolo do monumento do general Artigas, é uma sensação esquisita, muito sombrio e imenso, não me aproximei, saímos. A partir desta praça começa a Avenida 18 de julho, nome dado a grande avenida de 2 km de extensão em homenagem a data da constituição de 18/07/1967, é a avenida principal e uma das mais longas de lá. É uma avenida muito comercial, com muitas lojas e praças.
           Decidimos percorrer toda a extensão da avenida 18 de julho com seu movimentado comércio, é uma longa caminhada, mas fomos parando para apreciar eventos e detalhes pitorescos da cidade. São várias praças como a Plaza Fabini, a Plaza de Cagancha (Libertad), Plaza de los 33 Orientales e terminamos no grande monumento, um obelisco situado no centro da grande Avenida Artigas e que dá inicio a grande alameda que leva ao Parque Batlte. Este parque de 43 hectares é o mais famoso de Montevidéu, pois é lá que se encontra o Estádio Centenário. Contornamos todo ele passando pelo belo monumento La Carreta, pelo pequeno estádio Palermo e demais espaços para diversos esportes.

Plaza Fabini

Plaza Libertad

Plaza 33 Orientales

O Obelisco na Av. Artigas

La Carreta - Parque Batle

O Estádio Centenário


           Próximo ao parque está a grande estação de Tres Cruces onde funciona um shopping com o mesmo nome. Lá podemos experimentar uma iguaria uruguaia, o chivito, um super sanduiche servido com batatas fritas composto de lombo de vitela, presunto, bacon, queijo, alface, tomate e ovo, não sei quem consegue comer um sozinho, embora seja muito bom.
           Nesta avenida se encontra um monumento erguido em homenagem a ida do Papa João Paulo ll, o primeiro papa que visitou Montevidéu em 02/04/2005. Ao chegar nesta região é que percebemos a grande diferença existente entre a parte velha da cidade e a mais moderna, esta última é marcada por grandes avenidas com seus edifícios enormes de escritórios, praças e parques imensos.


           Este dia  fechamos com chave de ouro fomos ao restaurante Francis. Como no dia anterior cancelamos nossa reserva por não haver taxi, nesta noite como havia um outro casal no hotel que fizera reserva também mesmo na falta de taxi o proprietário do restaurante veio nos buscar e trazer. Para nossa surpresa apesar de ser uma segunda-feira o restaurante aos poucos foi enchendo e logo os sons de talheres e pratos, vozes e os odores dos pratos foram tomando conta do espaço. Uma noite perfeita, uma excelente comida e um atendimento correto. Pedimos duas taças de vinho, não agüentaríamos uma garrafa, um Tannat Atlantico Sur 2006, Single Vineyart, delicioso... Uma entrada de variedade de tapas foi pedida e bem saboreada, já como pratos principais que eram bem servidos escolhemos, eu um risoto de camarões (delicado) e o marido um risoto de cordeiro e cogumelos frescos (gostoso). Ainda ousamos pedir sobremesa, eu morangos flambados ao rum com sorvete de creme e o marido Semifredo de Límon com molho de frutas rojas, tudo muiiito gostoso.




quarta-feira, 25 de maio de 2011

MONTEVIDÉU - LA CIUDAD VIEJA


           Finalmente os posts sobre a nossa viagem à Montevidéu começaram a tomar forma com as minhas impressões sobre esta cidade que é bonita, mas não tão cheia de atrativos como as outras que conheci na América do Sul, que tem, percebi, peculiaridades de uma cidade um tanto provinciana. Lá estando fomos surpreendidos com uma greve de taxistas (um taxista havia morrido na noite anterior e ficaram dois dias com uma frota que já mal servida, menor ainda) que complicou nossos passeios pela cidade. Ficamos hospedados na Ciudad Vieja e o que podemos visitar ali visitamos, claro que havia também a incompatibilidade de horários, visitas a museus, por exemplo. Lá é assim, o que tem para visitar nesta região está tudo próximo, mas o que está nas outras regiões fica tudo muito longe, o que certamente carece de um taxi. Os taxis são um capítulo à parte, na sua grande maioria são bem velhinhos e possuem um vidro separando o motorista do passageiro e o valor a ser pago não é o que aparece no taxímetro, existe uma tabela que fica afixada no vidro com os valores equivalentes ao número que aparece no taxímetro e é este o valor que vamos pagar. A cidade é bem servida de transportes, mas estes também no outro dia reduziram sua frota, e como havia lugares para visitar bem distantes, não visitamos! Então nem preciso contar de minha frustração!

Contraste na arquitetura da cidade - edifícios e o novo aeroporto



           No primeiro dia decidimos descobrir o nosso entorno. Descobrimos logo que Montevidéu é uma cidade de arquitetura muito rica. A Ciudad Vieja onde se encontra grande parte desta riqueza está passando por uma lenta revitalização de seus edifícios e que no futuro vai lhe proporcionar um rico cenário, pois ali onde a cidade nasceu existem muitos monumentos emblemáticos daquela época. Esta parte da cidade formada de ruas e ruelas é cheia de história e que certamente são testemunhas de épocas mais promissoras. Fizemos um tour naquela região começando obviamente pela Plaza de La Constitución , onde se encontra a Matriz, a Catedral Metropolitana de Montevidéu, uma bela igreja que não é uma construção imponente, mas é muito aconchegante e inspira muita paz.


          Nesta praça ainda se encontra o Cabildo onde funciona o Museu e Arquivo Histórico Municipal e o Museu Gurvich, um museu particular mantido pela Fundação Gurvich criada pela família de José Gurvich, um artista plástico que embora seja nascido na Lituânia morou quase toda a sua vida em Montevidéu e infelizmente não é muito conhecido fora do Uruguai. Suas obras fantásticas refletem suas vivências, viagens e também como judeu as tradições judaicas simbolizadas em várias de suas obras.
          Si yai una inteligencia libre, debe haber un espacio libre donde la razón no limite. Gurvich
Almuerzo en el Cerro - 1959
Homenage al Kibutz Ramot Menache
1970

            Caminhando fomos também ao Mapi (Museu de Arte Precolombino Indígena) que diferente do que existe em Santiago tem um acervo muito pobre, emprestando seu espaço para outros artistas. Lá vimos uma pequena mostra da arte indígena e pré-colombiana,





             E de artistas como, Jorge Soza que trabalha com tapeçarias de cores e texturas surpreendentes,


Pablo Picasso

Entre el sueño y la vigilia

           E da artista plástica Mercedez González, a obra Des-creación,


           Nosso objetivo era chegar até o famoso Mercado Del Puerto, é lá onde tudo acontece, sempre cheio, acho que principalmente por turistas. O mercado é mesmo um point, o movimento não cessa, a rotatividade é grande, os garçons não param, muita carne assa a vista do freguês, a paisagem chega a ser assustadora com o fogaréu que sobe das grandes churrasqueiras em cada quiosque daquele. Lá chegando somos imediatamente convidados a provar do médio y médio, uma mistura de champanhe com vinho branco, que gostei muito e embora afirmem ser uma bebida forte repeti até acompanhando o almoço. De entrada (langostines grillé) deliciosos camarões servidos com limão e ervas verdes, já o prato principal, claro que quis experimentar a tão famosa carne uruguaia e fui de Petit Entrecot servido com salada e o marido de abadejo grillé,também acompanhado de salada










             Junto ao Mercado encontra-se o Museu Del Carnaval, o museu é mesmo um enorme galpão onde estão expostas diversas alegorias, trajes, máscaras e muitas fotos de diversos momentos festivos bem diferentes do carnaval que festejamos aqui. Lembram mesmo os velhos carnavais que havia antigamente











         
           Caminhando pelas ruelas da cidade descobrimos a Plaza Zabala, um tanto descuidada, mas com resquícios de ares parisienses, criada pelo arquiteto francês Edouard André e que leva o nome do fundador de Montevidéu o general Dom Bruno de Zabala.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...