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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

QUASE...

          
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           Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
           É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
           Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
           Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque que a rotina acomode que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

              Sarah Westphal

           O fundamental então é não desistir no meio do caminho, é resistir e persistir. Deixe seus sonhos o impulsionarem para  a felicidade! Uma ótima semana para todos!

               

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

NAQUELA MANHÃ...

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            Ela nem imaginava que aquele dia que começava como um dia qualquer poderia vir a ser um divisor de águas na sua vida, um antes e depois cheio de reticências. Os dias eram sempre cheios, começava cedo a jornada com os três filhos pequenos, uma escadinha que fazia de sua até então tranquila vida, um pequeno e divertido caos. Enquanto estavam envolvidos em suas brincadeiras ela procurava pôr em dia suas atividades.
            Era manhã de um belo dia de sol e as voltas com seu jardim mal percebe um carro que chega. Dele desce uma jovem e antes mesmo que falasse alguma palavra ela teve a nítida certeza que o passado batia a sua porta. Como se parecia com ela! Foi um encontro tímido, de sentimentos refreados embora a emoção cercasse as palavras e as descobertas que estavam a ser trocadas. A sua visita, uma irmã que até pouco tempo ela não sabia ter, mostrou-lhe uma foto antiga que carregava dela. Não se fazia necessárias provas, elas eram mesmo irmãs e um fio muito tênue as unia. Dalí veio o encontro com outros irmãos, cartas trocadas, mais visitas feitas, mas faltava algo mais significativo que o compartilhar do mesmo sangue, o perdão que ela nunca conseguiu oferecer. Por mais amor que se receba nunca se preenche o vazio de uma rejeição, sempre fica resquícios na mágoa do que não foi e do que poderia ter sido. Aquele dia mesmo ficou como um marco, ela se viu de frente com as possibilidades frustradas de um amor e uma vida que nunca aconteceram.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

PABLO PICASSO - 25/10/1881


            No ano de 2004, em uma viagem à São Paulo tive o privilégio de visitar a exposição Picasso na Oca, no Parque Ibirapuera. Claro que não lembro os detalhes da exposição, mas a emoção de vivenciar tão importante evento me deixou belas impressões que guardarei na lembrança.
          A exposição ocupava os quatro andares do edifício, começando pelo térreo, os dois andares acima e terminava no subsolo. Estava dividida em módulos que mostrava uma a uma as diversas fases do pintor, sendo tudo acompanhado de informações escritas nas paredes, o que fazia toda a diferença, pois nos ajudava a compreender e ver melhor aquilo que o pintor quis representar em suas obras. A exposição reunia peças do acervo do Museu Picasso em Paris, das diversas fases do artista, entre 1895 a 1972. Eram 125 obras, desde as pinturas realizadas aos 15 anos até os trabalhos concluídos pouco antes de sua morte.
            Não é todo dia que temos o prazer de vivenciar uma experiência como esta e por admirar sua controversa arte ele será o meu homenageado do mês. Nascido em 25 de outubro de 1881 em Málaga na Espanha, Pablo Picasso, se tornou um dos maiores, mais influentes e mais famosos artistas plásticos do século XX. Versátil, foi pintor, escultor, gravurista, ceramista e design de palco e teve seu valor comprovadamente reconhecido ao estabelecer o dogma fundamental da arte moderna ao criar com o pintor francês Georges Braque o cubismo. Ele acreditava que em sua arte o artista não deve copiar o mundo real, mas sim ter a liberdade de acrescentar algo novo a sua criação. Sua produção artística é geralmente descrita como sendo dividida em uma série de períodos que se sobrepõem, houve a fase convencional, a do Azul melancólico, a do Rosa mais alegre, a do Africano, a do Cubismo Analítico, a do Cubismo Sintético, a do Classicismo e do Surrealismo. Em 1907, morando em Paris, onde passou maior parte de sua vida ao pintar Les Demoiselles d’Avignon rompeu com seu estilo anterior de pintar abraçando o que veria a ser sua marca inconfundível, em que a ideia inicial é desconstruída através de figuras geométricas, o cubismo.
           Na arte de Picasso, temos a oportunidade de perceber o homem, seu tempo, seu mundo, toda a história da arte. São claras suas idiossincrasias onde seu estado de espírito, sua vida amorosa e a arte estão intrinsecamente associadas. A cada amor que iniciava as figuras mais suaves estavam presentes ao contrário da presença de figuras mais desestruturadas ao fim do romance. Em 1920 mesmo, no início de seu casamento com a bailarina Olga Koklova voltou a pintar figuras mais convencionais de influência neoclássica.
            Sua obra considerada a mais famosa é a Guernica, sua representação do que foi o horror da Guerra Civil Espanhola. Engajado no apoio aos republicanos ele levantou dinheiro em prol da causa e a criou para a Exposição Internacional de 1937 em Paris como homenagem à cidade basca de Guernica destruída pelos bombardeios, obra esta atualmente no Museu Reina Sofia em Madri, que representa sua condenação a guerra e ao fascismo.
           No decorrer de sua vida teve muitos envolvimentos amorosos e finalmente casou-se desta vez com Jaqueline Roque em 1961, com quem viveu mais recluso até o final da vida pelas pressões que sofria por sua celebridade. Imensamente prolífero criou em sua vida milhares de obras de vários estilos procurando ser sempre inovador até a última década de sua vida. Sua arte influenciou muitos outros artistas e está ele entre os grandes mestres de todos os tempos. Morreu aos 81 anos em 8 de abril de 1973 em Mougins, na França.
Criança com um Pombo - 1901

O Poeta Sabartés - 1901 (Fase azul)

Jovem Equilibrista - 1905
(Fase Rosa)

Les Demoiselles d'Avignon - 1907
(Fase Africana)

O Violino - 1912
(Fase Cubista)

Retrato de Olga na Poltrona - 1917

Banhistas - 1918

Os Amantes - 1923
(Fase do Classicismo)

Moça diante do Espelho - 1932
(Marie Thérèse, um novo  amor)

Retrato de Dora Maar - 1937
(Também com ela viveu um grande amor)

Guernica - 1937

Retrato de Jaqueline - 1957
(Com quem terminou seus dias)
                                                                  
Las Meniñas - 1957

          

sábado, 22 de outubro de 2011

PTERODÁTILOS - A PEÇA

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            Depois de muito esperar por um bom espetáculo a ser encenado no Teatro Riachuelo que está localizado no shopping Midway, finalmente tive o prazer de assistir a premiada peça Pterodátilos que graças ao patrocínio cultural da Petrobrás viaja pelo Brasil com preços populares o que provocou aqui uma corrida aos ingressos que logo se esgotaram.  A peça uma tragicomédia de temática densa retrata uma família que se encontra em vias de desintegração fruto de uma sociedade de consumo. Em um cenário que funcionando por um mecanismo hidráulico se move dando a impressão que os personagens estão por um fio para cair entre tábuas do piso que são retiradas formando buracos de onde são vistos lixo, escombros e fósseis para dar a impressão do desmoronamento dos laços familiares que estão à beira da extinção, assim como ocorreu com os pterodátilos,  que em decorrência de fatores como o alcoolismo, incesto, violência e abandono vivenciados pelos cinco personagens em cena, o pai executivo prestes a ser demitido, a instável filha Emma de 15 anos ambos interpretados divinamente para nosso deleite pelo talentoso Marco Nanini, a mãe alcóolatra e fútil interpretada por Mariana Lima, um filho homossexual interpretado por Álamo Facó e o namorado da filha que como não tem para onde ir vem a ser o empregado da casa e trai a filha com o irmão se vêem todos empurrados para o vazio causado pela solidão de suas vidas. O texto deixa sua mensagem sobre a relação entre a busca desenfreada pelo consumismo e a superficialidade das relações que culminam com a solidão. A platéia rir e reflete sobre as fraquezas as quais não estamos livres. É catártico? Não deixa de ser.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MAIS UMA VEZ AVÓ!

            Quase um mês! Eu parei no tempo, mas ele continuou a passar fazendo acontecer muitas coisas boas e outras nem tanto. Estou atrasada com minhas leituras dos blogs amigos, a quem peço desculpas, mas aos poucos retomarei a vidinha na blogosfera.
            Para me fazer sair um pouco do marasmo em que estava vi parte de mim renascer com o nascimento de meu terceiro neto dia 18/10. Vinícius nasceu para junto com sua irmãzinha completar a família do meu primogênito. É sempre uma dádiva ver acontecer o milagre da vida e é impossível não se emocionar quando se olha para aquele ser tão pequenino, tão frágil e tão lindo. Toda a felicidade do mundo para Vinícius!
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