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segunda-feira, 30 de julho de 2012

FLANANDO EM PARIS


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           Aquela era uma fria tarde de inverno em Paris, dezembro de 2005.
           Aqui começou um sonho, o feliz momento em que me deparei com o inimaginável. Depois de passar pela Avenida de la Grande Armée, me vi entrando maravilhada pela Avenida de Champs- Élysées que decorada para as festas natalinas parecia saída de um conto de fadas com suas vitrines iluminadas e animadas. Era pura magia!
           De dentro do carro naquele trânsito frenético, passavam por mim como miragens o Arco do Triunfo, a inconfundível sirene da polícia, a longa avenida, suas ruazinhas estreitas, o Grand e o Petit Palais, a Praça da Concórdia e em toda a parte surgindo linda e majestosa a Torre Eyffel que piscando colorida marcava a magia daquele momento.
           Entrei na cidade disposta a ver e conhecer tudo com aquele olhar ansioso do turista de primeira viagem, mas curioso aos detalhes que não são poucos e estão impregnados de história sejam nas ruas, praças, cafés, museus, na arquitetura e no rio Sena que corta a cidade e a divide em rive droite, o lado glamoroso e a rive gauche, o lado boêmio.
           Fosse em um ou outro lado, fosse pela manhã, a tarde ou a noite, Paris estava sempre linda, com seu encanto único e cenários românticos como ao navegar pelo Sena, nas visitas aos palácios, ao passear por seus parques, jardins ou apenas contemplar o vai e vem intenso dos apressados parisienses sentada nas calçadas dos disputados cafés.
           Pareço exagerada por ser apaixonada por Paris, mas o meu olhar vê na cidade-luz um quê de mágico, onde se pode viver o amor mais intensamente, onde se pode rodopiar ao som de uma música nem que seja sua música interior, onde se pode correr pela cidade vestida de noiva, tudo isso graças àquela atemporalidade tão peculiar onde o atual se mistura ao antigo e nos transporta para outras épocas como se o tempo não houvesse passado, e você estivesse ali com reis e rainhas em um conto de fadas moderno, mas surreal.
           Abri meus olhos, pisquei várias vezes, me belisquei e pensei, se não é sonho, estou no paraíso, pronto, morri!
          Mas era real, eu estava em Paris! 

          Uma excelente semana para todos!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O PODER DO SORRISO


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Quem na vida nunca amou ou sofreu?
Mas não olhemos para trás
Dentro de nós existe o poder de decidir
Entre viver de amargura ou um sorriso abrir.

Existem muitos tipos de sorriso
E precisamos de sensibilidade para percebê-los
Pois sua linguagem é muito simples de ser compreendida
E logo apaga a nossa alma entristecida.

Cada sorriso é único
E tem poder transformador.
Vem na forma de esperança
E na certeza que existe amor.

O sorriso é poesia que encanta e contagia
É como uma brisa suave, uma fonte de energia.
Nunca se esqueça de abrir um sorriso
De alimentar sua alma ao fazê-lo um aliado.
Pois ao sorrir para o mundo você será recompensado.
 
Valéria
Um final de semana de muitos sorrisos e alegrias para todos!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

SONHOS DE UMA FLOR

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              Naquela família unida e feliz apesar das dificuldades, aquelas três lindas flores enchiam de frescor e perfume à vida daquele casal. Entre as três havia uma cumplicidade, já que suas idades eram bem próximas, a mais nova Verbena, nos seus dez anos irradiava alegria mesmo tendo que aproveitar de Viola e Violeta desde o brinquedo, até o sapato e as roupas. Cresceram assim cheias de sonhos e fantasias. As irmãs mais velhas logo depois dos estudos foram casando e Verbena dedicada e estudiosa, agora com dezoito anos deixava-se levar por mil devaneios de ter uma vida diferente, poder se formar conseguir um ótimo trabalho e viajar, cruzar fronteiras. Começou a trabalhar para poder pagar seus cursos de idiomas e em qualquer tempinho disponível se debruçava nas leituras que naquele momento era uma forma de fazer suas primeiras viagens. Meiga e tímida quase não possuíam amigas, vivia no seu mundinho solitário, mas povoado por inúmeros sonhos e personagens. Mesmo com a insistência dos pais e das poucas amigas dificilmente se rendia a acompanhá-las às festas e aos encontros da turma. No dia da comemoração por ter passado no vestibular para o curso de Letras ela se permite que a emoção drible sua timidez e deixa-se levar por toda aquela alegria e sai para festejar com os amigos. Foi uma noite perfeita! Entre seus colegas um despertou sua atenção e viu com uma terna felicidade que fora correspondida. Ali começou sua primeira história de amor. Quando sozinha em seu quarto, que agora era só seu, pensava em quanto era feliz, tinha sua família, seu amor, sua faculdade e seu emprego. Não cabia em si.
               O tempo passa e um dia ao voltar para casa de carro com seu namorado, não se sabe de onde, surgiu um carro em alta velocidade e os pega em cheio. Foi um trágico acidente que a deixou impossibilitada de andar. O namorado não sofreu tantos ferimentos e acompanhou-a em todo o tempo de recuperação. Foram momentos de muita tristeza e apreensão. Entre a dor física e o que se passava em seu íntimo só ela sabia, para os outros principalmente para os seus pais que se desdobravam em amor e carinho, ela não deixava nada transparecer. Agora seria adaptar-se a uma nova realidade, não seria fácil, mas certamente ela poderia contar com toda a sua família. Mesmo com todos os obstáculos físicos com os quais se deparava por causa de suas limitações, ela nunca desistiu, continuou sua rotina e se formou. Agora ela se tornara uma professora de francês. Acumulou durante todos estes anos de estudo um vasto conhecimento daquela cultura e passeava por seus diversos temas com a desenvoltura própria de como se lá vivesse. Era com prazer que levava aos seus alunos todo aquele mundo de conhecimentos, a cada dia ela fazia uma nova viagem junto com eles, ao falar das cidades, do cotidiano, dos escritores, das músicas que de tão familiares faziam parte de seu dia-a-dia, do seu sonho, que era poder realmente viajar e ir além das páginas daqueles seus livros amigos e companheiros. Ela vivia desse sonho e seu coração dizia que ela iria realizá-lo. Havia transposto barreiras, iria transpor fronteiras.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

GRATIDÃO

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Ser grato nos faz feliz.
Gratidão por existir.
Ouça e aprenda o verdadeiro sentido de existir
E ao tomar consciência agradeça.
Encontre a sua maneira de expressar a gratidão
Com palavras e atitudes.
Viva este nobre sentimento
Que tem o poder do reconhecimento
Pela vida e pelo outro.
O poder da gratidão que anda de mãos dadas com a alegria
Anda de mãos dadas com o amor.
O valor imensurável da gratidão
Até pelas mínimas coisas que Deus faz por nós
Por todas as coisas boas que a vida nos oferece.
Obrigada, uma palavrinha mágica,
Que abre caminhos, abre o coração.
Nos liberta!

Valéria

quarta-feira, 18 de julho de 2012

UMA LINDA MULHER

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                Ela era amiga de minha mãe mesmo havendo entre elas uma significativa diferença de idade, estavam sempre para lá e para cá e na minha curiosidade de criança ficava a tentar descobrir o motivo. Elas também eram de diferentes classes econômicas o que fazia soltar minha imaginação quando saíamos a passear no seu belo carro sempre pelos destinos mais variados. Há dias lendo um blog amigo me peguei a pensar nela, existem pessoas que por sua maneira de ser nos marcam, ela foi uma dessas pessoas. Mesmo rica era de uma simplicidade ímpar no trato com todas as pessoas o que a tornava ainda mais bonita, ela também era muito inteligente e simpática. Eu tinha lá meus nove, dez anos e ficava impressionada com aquela moça vaidosa, alta e de corpo cheinho que lhe imprimia um ar importante e sedutor sempre vestida com roupas que lhe acentuavam seu corpo escultural, ela era daqueles mulherões de chamar a atenção seja de homens como de mulheres por suas curvas e elegância. Os cabelos muito loiros e sempre bem penteados emolduravam aquele olhar expressivo e seguro de si que cativava a todos quando abria o seu sorriso e a sua boca de lábios carnudos que sempre pintados de vermelho coloriam e dava vida à brancura de sua pele. Ela era uma linda mulher, de uma beleza estonteante! Seu sorriso era meigo e um pouco tímido, não sei se por educação, pois ela para completar seus predicados, era finíssima.
               Hoje não sei o que foi feito dela, que destino teve, mas sei pela minha curiosidade de criança que na época ela era noiva havia dez anos e buscava ingenuamente descobrir o porquê de seu noivo adiar tanto o casamento. Ela já era uma mulher madura beirando os quarenta anos e onde soubesse de alguém que lesse o destino lá procurava ir no desejo ansioso de desvendar o seu, e aí entrava minha mãe na história como companhia nestas aventuras. Tempos depois com a morte de minha mãe perdi o contato com ela, mas descobri que havia casado finalmente em uma recepção de muita pompa, mas seu casamento não durou muito, desfazendo um sonho por tanto tempo esperado. É, muitas vezes almejamos muito uma coisa, mas nem sempre ela vale tanto a pena. Só descobrimos depois, infelizmente.

                
              Obrigada pelas visitas e comentários simpáticos no post anterior da Blogageem Coletiva e desculpe não tê-los visitado ainda. Deixei esta postagem programada, desde já obrigada por sua visita, mas estou precisando deste tempo para dar uma reorganizada nas coisas por aqui. Segunda -feira se Deus quiser voltarei e colocarei as visitas em dia. Beijinhos e até já.

domingo, 15 de julho de 2012

BC - AMOR AOS PEDAÇOS - REINTEGRAÇÃO


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               Esta é a minha participação na Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços proposta por Rosélia, Rute e Luma Rosa que na sua quinta e última fase tocará os corações com o tema Reintegração
             
               De tudo que vivenciamos ao atingirmos à maturidade emocional temos uma certeza, foram as mais variadas emoções e os mais conflitantes sentimentos. Houve encantamento, muitos desencantos, fomos do auge da alegria a dor e o desespero. Quando parecia ter chegado ao fundo do poço, nos surgiu uma luz, a esperança, renascemos embasados em muitos questionamentos que nos imprimiram de pouco a pouco a tão esperada maturidade. Despimo-nos de sentimentos pequenos, daquela inquietude anterior e deixamos um amor sereno, paciente, recíproco invadir nosso ser e nos tornar completos. Neste momento acontece a reintegração, uma recuperação de um tempo para ser vivido com plenitude, uma retomada de posse do amor com respeito à individualidade de cada um, sem que haja um comodismo, mas um constante cuidado, uma rega diária como fazemos com uma flor delicada. É o momento de viver um amor sem cobranças, que não precisa de demonstrações, que não é alardeado, é silencioso e prega a verdade. Não é sempre um mar de rosas, mas consegue diferenciar as sutilezas das dificuldades e constrói barreiras para que elas não se instalem e se eternizem. Há uma alegria, uma felicidade na presença do outro, no conviver, nos silêncios compartilhados, nas conversas animadas, na cumplicidade, na capacidade de adivinhar, de se antecipar ao outro. Neste encontro de almas há o desejo do melhor para o outro, do simples doar-se, do completar a vida do outro, do viver o melhor cada dia, do querer sempre fazer feliz. E é vivenciar este momento que sempre almejamos!
                 Uma semana iluminada para todos!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

OS PREPARATIVOS

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              Luiza deu uma última olhada no espelho, ajeitou o coque preso na nuca e sorriu, se sentia satisfeita, de bem com a vida. Olhou em torno todo o seu quarto impecavelmente arrumado e se dirigiu até a cama, passou a mão arrumando a prega que ficara na colcha e pegou o avental, colocou sobre o pescoço, amarrou nas costas e passou a mão ajeitando-o ao corpo. Não tinha como evitar, era maior que ela, era perfeccionista. Saiu do quarto e se dirigiu à cozinha, colocou a chaleira no fogo e começou o ritual do preparo do café da manhã, frutas cortadas, bolos feitos na tarde anterior, pão feito em casa, geleias, ovos e leite vindos da fazenda, um banquete para apenas duas pessoas, mas tudo feito com carinho e dedicação. Logo a cozinha começou a exalar o cheirinho do café fresco e quentinho chamando os donos da casa para o início do dia. Aquele casal já idoso e cheio de idiossincrasias morava ali há vários anos e todo este tempo ela lá trabalhara e acompanhara todo o nascimento e crescimento dos quatro filhos já casados. Agora uma nova geração no período das férias impregnava de vida àquela casa espaçosa e silenciosa. Eram netos esperados para fazer a alegria de todos. Luiza também ajudara nos cuidados com eles, também se sentia avó e era adorada por eles, paparicava-os e no seu jeito simples conseguia cativar a todos mais até que o velho casal.
               Hoje ela ia terminar de por em prática os preparativos finais para receber toda a família que chegaria de férias, roupas limpas e cheirosas, perfumadas com suas gotinhas de lavanda, doces, bolos e guloseimas para as crianças, muitas flores espalhadas pela casa, tudo em ordem como só ela sabia fazer. Há dias preparava o cardápio para aqueles dias em que um pouquinho do gosto de cada um seria atendido, afinal ela os conhecia como a palma da mão. Sabia que seriam dias de trabalho redobrado, mas valia a pena, fazia por prazer, com amor. A avó, dona da casa que a criara desde ainda pequena dava-lhe carta branca e tudo então passava por suas habilidosas mãos. Nos últimos detalhes feitos com a inquietação própria da espera só se escutava o arrastado de pés das duas indo e vindo no afã de logo terminar a grande espera.
               O antigo portão de ferro rangeu lá fora e dois corações cheios de amor dispararam... Eles chegaram... Seriam dias de festa!

               Um feliz final de semana para todos!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

ANIMAL DE ESTIMAÇÃO - ERA UMA VEZ UM GATINHO



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               Quem não teve um animal de estimação quando criança, muitos me dirão que já. Eu também tive um. Ele era um gatinho angorá manhoso e esperto que não parava de brincar entre as plantas rasteiras que ficava nas redondezas da pequena casa do sítio onde morávamos sempre atrás das borboletas e pequenos insetos. Quando o sol intermitente batia naquelas terras secas ele logo corria para se refestelar na sombra da varanda deitado no sofá. Vivia a correr para cima e para baixo brincando com a sua dona, eu, que traquina também vivia a subir nas pequenas árvores. Ele a acompanhava e muitas vezes ficava ali no alto preso sem poder descer, tinha que ser tirado sempre assustado a miar. Era a alegria da casa. Todas as tardes perto da hora de chegada do meu pai ele saía e ficava no lado de fora do portão sentadinho a esperar. Fazia festa no seu jeito manso de se enroscar nas pernas dele quando ele chegava.
                Um dia o pai da menina recebeu um estranho pedido, emprestar o gatinho, xodó da filha para dar cabo de uns ratos que estavam a fazer festa na casa de um parente que morava a alguns quilômetros dali. Sem poder dizer não, lá foi o gatinho para minha tristeza passar não se sabia quantos dias numa nova morada. Passaram-se dias, uma semana e um belo dia, não era bem de dia, mas numa madrugada se escuta um barulho na porta, eram arranhões acompanhados de miados. Assustados todos se levantaram e ao abrir a porta se depararam com o gatinho que havia fugido e voltado para casa, foi uma festa. Cansado e faminto o pobre gatinho não se sabe como, conseguiu atravessar a cidade e voltar para casa, era uma distância bastante significativa e nunca se soube precisar a hora que ele saiu, como conseguiu atravessar ruas e mais ruas até ali. Foi muita sorte! No outro dia o parente aparece aflito para contar que o gatinho havia desaparecido, quase caiu incrédulo, quando ouviu a história da aventura do gatinho para voltar para casa. Contando assim parece mentira, mas aconteceu, “menina(o)s eu vi”...rsss

segunda-feira, 9 de julho de 2012

PARA ROMA COM AMOR


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               Assisti sábado uma outra vez ao filme Meia noite em Paris no canal HBO e ele continua mágico! Longe de qualquer comparação com este filme, que foi um filme encantador e embora em ambos esteja marcada como tatuagem a atuação de Woody Allen como diretor com suas idiossincrasias e técnicas próprias, Para Roma com amor é uma comédia da vida urbana, uma declaração de amor à moda italiana, com um enredo agradável e num estilo bem comum de várias estórias que correndo paralelas mostram a dinâmica de quatro casais que se deparam com situações sui generis, numa divertida excursão pela natureza humana e as diversas tramas provocadas por traições e a busca pela fama tendo como ponto em comum a bela Roma. Para nosso deleite mais uma vez a cidade é a protagonista e o espectador é levado a fazer um tour pela cidade eterna com seus monumentos emblemáticos e ruazinhas do belo bairro do Trastevere, que mesmo fotogênica não tem aquele "je ne sais quoi" da cidade luz. É um filme despretensioso, ótimo como entretenimento com a participação do próprio Woody Allen e seus extremos cômicos e tem como ponto forte diálogos leves e tiradas de fazer o público rir de montão. Gostei muito da trilha sonora bem emblemática e me diverti bastante, mas não é um grande filme, um filme mágico, é um bom filme.
                  Uma excelente semana para todos!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

AO AMOR

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Você entrou na minha vida
Bem devagarzinho
Feito uma brisa.
Trouxe a calmaria
Como o cantar dos pássaros
No raiar do dia.
Você chegou e me trouxe tudo de bom.
Trouxe-me paz de espírito.
Fez-me sentir verdadeira.
Mostrou-me o que é felicidade.
Ensinou-me o que é o amor!

Valéria


Um lindo e alegre final de semana para todos!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A FAMÍLIA

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               Ela parou de ler, deitou o livro sobre o colo e fitou o horizonte. Deitada na espreguiçadeira ela tinha diante de si uma paisagem reconfortante e bela. As ondas de águas límpidas do mar a sua frente quebrava trazendo aquela espuminha branca bem junto de seu portão. Ela respirava aquele cheiro gostoso de mar trazido naquelas ondas e se sentia mesmo por um momento feliz, em paz. Uma leitora voraz sentiu pela primeira vez o peso do livro sobre o peito oprimido e saiu do devaneio, aquele trecho da leitura havia lhe despertado recordações, uma lembrança ainda não resolvida teimava em atrapalhar sua leitura. Aquela personagem bem podia ser ela, com uma diferença significativa, ela não estava conseguindo enfrentar a situação de frente. De repente se sentiu cansada e entediada, colocou um marcador no livro e levantou. Foi preparar um chá na cozinha sem parar de pensar e refazer todo o seu dilema. Na maioria das vezes conseguia driblar os seus problemas, mas vez ou outra quando vinham à tona se deixava tomar de preocupações. Pegou a xícara e foi até o quarto, lá abriu uma caixa e tirou dele todo o conteúdo, várias fotos de seu marido com outra mulher. Aquilo a estava deixando totalmente desconcertada, sem norte, não havia comentado com ninguém e estava sufocando, precisava desabafar, mas com quem? Sentia um misto de sentimentos e não sabia o que fazer desde que suspeitou e seguiu o marido, sentiu-se mal ao tirar aquelas fotos, mas precisava fazer aquilo. Afinal ele era um marido tão bom, que ninguém iria acreditar sem as fotos como prova. Um vazio dentro de seu peito aos poucos ia fazendo desaparecer o amor que sentia, se sentia como uma árvore quando tem sua seiva sugada. Bebeu o resto de chá e guardou as fotos, não viu que uma delas caiu no chão e saiu do quarto. Foi preparar o jantar, pois os filhos e o marido logo chegariam.
               Na mesa o jantar aconteceu como de costume parecia uma família harmoniosa e ao final cada um foi para os seus afazeres. Os filhos, uma mocinha e um menino foram em direção aos seus quartos e o marido foi para frente da tv na sala. De pé diante da mesa terminando os últimos detalhes da arrumação vê sua filha aos prantos entrar na sala e partir para o pai com uma foto na mão. Aos gritos a menina quase não se fazia entender, o marido lívido olhava a foto sem saber o que dizer ao ver a esposa se aproximar e tomar a foto das mãos da filha. Como numa catarse, sentimentos até então sufocados foram expostos da pior maneira possível. Intempestivamente todas as dores e mágoas foram externadas, tudo ali na frente dos filhos e no calor da emoção, o filho que até então não se manifestara gritou pedindo silêncio, não entendia completamente a situação, mas sabia de uma coisa, parecia que seu mundo ia desmoronar e queria os seus pais unidos. Olhou para o pai, olhou para a mãe e indagou se eles gostavam um do outro ainda, para perplexidade da mãe o pai disse que sim, ela também respondeu que sim. O menino sorriu um sorriso triste e disse olhando para a mãe - perdoa ele mãe, nós precisamos de vocês juntos. Ela olhou para o filho emocionada, baixou os olhos para a foto, se sentiu dividida, olhou para o marido que a olhava um tanto quanto envergonhado, mas apreensivo, rasgou a foto e sorriu para o filho. Algo havia se quebrado, um certo desencanto rondava a sua família, mas ela daria uma nova chance a todos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O FAROL

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              Lá na esquina do mundo, em um pedaço longínquo de terra se instalou uma pequena comunidade com menos de dez casas para a manutenção do farol. Pintado de preto e branco em espiral ele se mantém ali solitário como olhos do mar clareando a praia, o horizonte marítimo nas noites escuras, quando seus raios luminosos correm toda a região no seu giro de 360°. Seja lá de onde for que se esteja aquela luz traz a esperança para quem a ver, seja em terra, seja no mar. De dia ele pode ser visitado seja chegando pela praia, seja pela estrada. Ir pela praia parecia ser mais emocionante, caminhar atravessando entre pedras e areia em caminhos feitos nas dunas por entre vegetações. Aquele grupo de adultos e crianças que saiu da pequena vila de pescadores ia eufórico a brincar e rir cada vez mais estimulando a imaginação daquelas crianças. Pelo caminho íngreme ainda não dava para ver todo o farol, só uma pontinha dele que dava a ilusão de estar perto, mas caminho não faltava. Se havia cortado caminho pelas dunas, mas parecia agora que o caminho era bem mais longo. De pouco a pouco para a frustração das crianças, já impacientes, o farol surgia e finalmente se fez inteiro ao virar uma curva que chegava a ponta da praia. Foi um regozijo, as crianças vibravam na expectativa de subirem o farol. Na entrada, em um pequeno vão todos se agruparam para esperar o guia que acompanharia a subida. Nem todos se aventuraram a subir, a escada em espiral e muito estreita aumentava a sensação de claustrofobia. Atrás do guia as crianças subiam disparadas, lá em cima ao sair pela porta um pequeno corredor com um guarda-corpo permitia contemplar toda àquela paisagem. A visão era deslumbrante, no horizonte céu e mar se encontravam em eterna sintonia. Aqui, alguns não conseguiram ficar, o vento forte dava uma sensação de desamparo diante de tão frágil estrutura de ferro. Dali para chegar até a luz do farol havia uma escada por fora, por ela se faz a manutenção da lâmpada, também podia ser visitada. Antes mesmo que o guia terminasse suas explicações as crianças subiram na frente ávidas pelo clímax daquela aventura, sem se darem conta do perigo de estarem ali desprotegidos naquela estreita escada sob o balanço do vento intermitente para entrar na nave onde fica a grande luz do farol. Assustados e surpresos o guia e os adultos seguiram as crianças até o topo de onde se pode apesar do susto e consequentes reprimendas vislumbrar até onde a vista permitia o lugar chamado de esquina do mundo. Era uma experiência ímpar e cada um teria a sua visão, a sua versão para contar no futuro.
              Ao final da visita, desceram todos e pela beira da praia decidiram voltar. A tarde caía e as ondas já se agitavam para a alta da maré. Entre pedras e água já não havia tantos risos, o cansaço do passeio e o duro caminho da volta aplacaram os ânimos. As crianças antes felizes reclamavam a todo instante, o caminho parecia não ter fim, a noite chegava e o farol já começava a iluminar o mar com seus raios luminosos. Aquele dia e aquela grande aventura ficaria para sempre na memória.
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