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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NAS NUVENS

O ÚLTIMO ANDAR

No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua no terraço
fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.

De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.

Cecília Meireles, (Ou isto ou aquilo)

Ao encontrar este poema de Cecília Meireles me identifiquei imediatamente com ele. Como ele ilustrava bem o que eu sinto! Afinal desde que fui morar em apartamento cultivo um desejo: morar no último andar. Há um mês estou morando no último andar, o 25° andar... E confesso é muito mais bonito olhar a vida aqui de cima. A cidade se descortina, se mostra inteira até o perder de vista. De minha cidade, hoje vejo o mar, o rio, suas dunas e como não poderia deixar de ser, a sua verticalização, cada vez mais acelerada. Como diz Cecília, tudo parece perto... Até a lua!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

SOBRE VIAGENS

Abrindo um parêntese na leitura dos autores franceses que venho fazendo, descontraí na leitura despretensiosa de Fazendo as malas e De malas prontas, ambos de Danuza Leão. A escolha é claro, graças a sua (nossa) paixão por Paris, citada nos dois livros. Não se trata de guias turísticos, longe disso, escritos de maneira simples, objetiva e com certo toque de ironia, com um estilo próprio de quem sabe que sabe, neles ela descreve de maneira descontraída e irreverente sobre cidades como Sevilha, Lisboa, Paris, Roma, São Paulo, Buenos Aires, Berlim e Londres e dá dicas, não as obvias, sobre hotéis, bares, lojas e restaurantes dessas cidades.
            
               
Sobre Paris, ela confessa, “Desde que pus os pés em Paris pela primeira vez, soube que iria amar aquela cidade profundamente, até o fim dos meus dias”. E com propriedade ela discorre sobre as coisas que mais a encantam em Paris como os restaurantes, os cafés, as ruas, os prédios, os bistrôs e a tradição ilustrados no parágrafo, “Certos lugares de Paris não mudam; dia desses estava olhando uma foto do Café de Flore dos anos 50, e fora a maneira como as pessoas se vestiam, tudo está exatamente igual. O toldo, a varanda, as mesas, a roupa dos garçons, o menu. Paris dá a sensação de que as coisas são permanentes, e essa é uma boa sensação”. E quando descreve com paixão e saudosismo de seu bairro “amado”, o Saint Germain.

Em Fazendo as Malas ela finaliza com um toque de humor alertando que, “Com todas as agruras que é viajar hoje em dia – as filas no check-in, as revistas para ver se você não é terrorista, as malas que são desfeitas e refeitas -, viajar ainda é das melhores coisas do mundo, e é bom aproveitar agora, já, porque os chineses estão chegando”.

E ela tem toda a razão, viajar é tudo de bom! Ir à Paris então... nem fale!

 

terça-feira, 17 de agosto de 2010

NOVO LAR

Sempre adorei me mudar...E como já havia falado aqui estava impaciente, fazendo projetos para isso... Depois que cheguei de viagem consegui o AP que buscava encontrar e me envolvi completamente nesta empreitada. Aos poucos estou recompondo tudo nos seus devidos lugares, inclusive as emoções dentro de mim. Uma das melhores sensações é entrar em uma nova casa e ficar pensando onde ficará os móveis, o que fazer para tornar cada ambiente mais agradável e bonito. Mas, o processo de mudança em si é algo muito chato e estressante. A começar pela quantidade de caixas que se tem para arrumar. Você fica perdido vendo o seu mundo se decompondo. Mudar de casa é como se de repente trocássemos de mundo. Um mundo novo que supõe coisas novas e novos hábitos. Eu que já tenho mania de reciclagem, aqui eu abuso e na hora da arrumação das caixas, velhas roupas, sapatos, e outras coisas mais vão para novos donos. É o momento ideal para doar o que não se quer mais nos livrando de objetos que já perderam o sentido, e dando vez a novos desejos (de consumo!). É uma verdadeira renovação... De lavar a alma. Cada dia uma novidade, um detalhe, que vai se somando para dar forma àquele projeto tão sonhado...
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