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O DIA DA PÁTRIA

 
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               Quem foi jovem e frequentou a escola nos anos 70 em plena ditadura vivenciou a rotina de ideais nacionalistas em que muito se reverenciavam os símbolos nacionais. Todas as datas cívicas eram cercadas de cerimônias e muito respeito. Nas escolas aprendíamos nas aulas de educação moral e cívica todos os hinos que deveriam estar sempre na ponta da língua em todas as datas comemorativas, hasteava-se a bandeira, faziam-se trabalhos e mais trabalhos enaltecendo a pátria e íamos cada vez mais sendo forjados no ideário de uma sociedade cívica e moral, ou melhor, a nos adaptarmos a nova ordem.
               Entre estes exercícios de civismo o mais impregnado de simbologia era a comemoração do dia 7 de setembro. Os dias que antecediam esta data tão festejada era de muito trabalho. As escolas organizavam seus desfiles e cada uma queria fazer mais bonito. Era um dia especial, um dia de festa. As ruas se enchiam de gente com bandeirinhas para torcer pela escola preferida e dar o seu testemunho de amor à pátria.
               Para mim, os dias que antecediam o grande desfile já era o início de um grande martírio. Por ser muito tímida sentia um desejo imenso de ser invisível naqueles dias. Ouvir os sons ritmados do tambor, com aquela paradinha clássica ritmada pelo trá-tá-pum, trá-tá-pum, trá-tá-pum, tum, tum, tum era uma tortura. A razão é que eu não sabia marchar. Meu corpo magro e desengonçado de início da adolescência não me obedecia e nem entrava na cadência ritmada do tambor, aliás, nunca entrou. Se nos ensaios as coisas já eram complicadas, com as professoras tentando me fazer entrar no ritmo, no dia D a minha ansiedade chegava ao seu limiar e na minha cabeça como era difícil cumprir este exercício de patriotismo. Vestidas em traje de gala saíamos pelas ruas da cidade até o lugar destinado, uma espécie de concentração onde ficávamos esperando a nossa vez de desfilar, eram horas e horas de espera sob um sol que castigava, até chegar a tão esperada hora de passar diante do palanque das autoridades e prestar o nosso exemplo de civismo. E eu, eu ficava lá insegura, perfilada em meio a tantas outras tentando inutilmente entrar no passo, era o medo de ser vista errando naquele momento tão esperado. Nossa, era muita responsabilidade! E assim foi a cada ano de minha vida escolar.
              Tenham todos um bom feriado e um excelente final de semana!

Comentários

  1. Oii Valéria, imagino como eram esses desfiles, lembro de ver alguma coisa qdo criança, mas nunca participei, acho que na minha escola não era obrigatório, não lembro, mas nunca fui! Valeu recordar, ainda bem que o tempo passa né rsr bjoooosss

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  2. Bom dia, Valéria
    Belas palavras, me fizeram lembrar da minha época de patriota.
    Só que eu era o contrário de você, adorava desfilar, cada ano, minha turma criava um roupa diferente e eu adorava.
    Lá em casa o pessoal ria de mim por tamanho ato de civismo, meus irmãos detestavam, iam forçados.
    Tempos bons, um pontinha de saudade.
    Beijo.

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  3. Bom dia,Valéria!!!

    Eu adorava desfilar e cantar o hino.Mas hoje em dia é diferente...
    Beijos,minha amiga!

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  4. Oi, Valéria...

    Passei por tudo isso também e sentia muita vergonha e medo de errar. Mas confesso que achava um orgulho representar a escola num desfile. Que pena que essa disciplina não existe mais... era chato, mas no nosso tempo era necessário. Talvez hoje em dia falta mais informação aos jovens do que seja o respeito à Pátria e aos professores. Tempos modernos, mas nem sempre melhores que o passado.

    Beijos, querida, e ótimo feriado!

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  5. Oi Valéria,
    você descreveu direitinho o meu cotidiano cívico. Me senti transportada para aquela época que eu até gostava e me orgulhava também.
    Quando já era professora tinha que levar meus alunos para o desfile no centro da cidade na Avenida Afonso Pena, onde o mesmo ocorre até hoje. Era muita responsabilidade e muito cansaço também. Durou anos! Hoje assisto pela TV, quando passa.
    Beijos, bom feriado e bom final de semana.

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  6. Oh Pátria amada, Brasil!

    Bjs meus

    Catita

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  7. Oi Valéria,

    Minha época também foi assim. Voltei no tempo agora.
    Eu sempre participava do desfile do meu colégio no dia 7 de setembro e era a maior rivalidade estre os colégios da cidade. Também era muito tímida, mas adorava, pois eu sempre separava pelotão ou tocava na bandinha. Achava o máximo (rsrsrs).

    Ótimo final de semana.

    Beijão.

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  8. Uma das grandes bênções da vida
    é a experiência que os anos vividos nos concebem.
    Aniversariar é uma amostra das oportunidades que temos de aprender a contar os nossos dias.
    mais uma janela e abre diante dos meus olhos,
    mais um espinho foi retirado da flor,
    restando somente a beleza de tão bela data.
    Com fé, na esperança e no empenho por ser melhor a cada dia.
    Seguindo pelos caminhos da verdade e do amor.
    Um dia encontrarei o mais belo jardim, o jardim que representará a realização
    dos meus maiores sonhos.
    Com saudades .
    desejo um feliz final de semana
    venha curtir meu aniversário.
    Beijos na sua Alma,Evanir.

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  9. Valeria,nossa que torturante!Eu tb passei por esse sufoco!...rss...e a gente nem questionava!Se fosse hoje os jovens iriam reclamar!bjs e bom final de semana!

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  10. Valéria,

    Eu até gostava de desfilar, mas pedia pelo amor de Deus pra ficar na última fila e no meio.kkk Ainda bem que eu não era tão baixinha.
    Acho que o patriotismo está dentro do nosso coração. Amo minha pátria. Acho que o fato de morar fora nos faz ficar ainda mais.
    Beijos

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  11. Oi, Valéria!
    Parecia até que eu estava lendo os acontecimentos cívicos dos meus tempos! rssssssssssssssss
    Vc foi presica: era exatamente assim! Um calor infernal e a gente em traje de gala, suando feito umas abestadas, mas orgulhosas que só!
    Tb me sentia estranha naquele meio, mas porque era bem baixinha e só ficava na última fila! O meu sonho era ser do pelotão da bandeira, manja?Snif! Com o meu tamanho? Jamais!
    Bjsssssssssssss, quérida!

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  12. Apesar de tudo aquilo que rolava nos corredores, a gente ainda sem a conciencia da besta, vivia todo o clima.Lembro que eu era da fanfarra e buscava fazer bonito na avenida.Havia um patriotismo da gente e não deles.Lembro da epoca do catavento e as musicas que pregavam o patriotismo.Bela cronica sobre esta data que hoje passa como um dia de feriado.
    Um abração Valeria.
    Gosto do que escreve e como escreve.
    Meus parabens e admiração.

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