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quarta-feira, 23 de março de 2011

UM PARÊNTESE - PABLO NERUDA - O POETA DO CHILE E DO MUNDO

    
         Quando nos propomos a voltar para conhecer melhor Santiago logo decidi entre tantos atrativos visitar as Casas Museus de Pablo Neruda. Meu primeiro contato com sua literatura foi em forma de prosa, o livro Confesso que vivi, que li nos idos dos anos 70. Nunca esqueci, foi surpreendente para minha cabecinha de adolescente. E então me surgiu à oportunidade de ver de perto fragmentos da sua vida tão rica, produtiva e emocionante. Desculpem o longo texto, afinal Pablo Neruda é patrimônio chileno! Então vamos conhecer um pouco dele para conhecer depois suas casas...
         O nome Pablo Neruda é um pseudônimo (homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda e ao francês Paul Verlaine) de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto que nasceu em Parral (Chile) em 12 de janeiro de 1904. Durante sua vida foi escritor, cônsul e diplomata. Como escritor sua obra é extensa e em 1971 foi homenageado ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Entre 1927 e 1935, o Governo o colocou no comando de vários consulados honorários, que o levou a viajar para a Birmânia, Ceilão, Java, Colombo, Singapura, Buenos Aires, Barcelona e à Madrid. Em cada cidade continua com seus escritos e participando de eventos ligados a literatura tanto quanto de suas funções diplomáticas. No período em que esteve no Oriente escreveu a maior parte de um de seus livros mais importantes Residencia em la tierra.
          Em 1930 casou com a holandesa María Antonieta Haagenar Vogelzang. Em 1934 como cônsul em Barcelona nasce sua filha e depois ao ser nomeado cônsul para a embaixada em Madrid fixa aí residência e deixa mãe e filha em Barcelona, começando então a viver com Delia Carril. Em 1936 com a guerra civil espanhola e a morte de Garcia Lorca, Neruda contrariando a neutralidade exigida por seu cargo demonstra simpatia pela causa republicana levando o governo a fechar o consulado em Madri alegando falta de garantias e não destinando mais cargo algum para ele. Depois de um período em Paris defendendo os direitos do povo espanhol volta ao Chile com Delia e lança o livro España em El corazón. Quando em 1939, foi nomeado cônsul para a imigração espanhola indo residir em Paris, aí vencendo dificuldades políticas e econômicas organiza a transferência para o Chile de 2000 refugiados espanhóis. Neste ano também compra a casa de Isla Negra. Em 1940 depois de muitas homenagens pelo seu feito pelos espanhóis é designado Cônsul Geral no México aonde veio a escrever o seu famoso e épico livro de poesias Canto Geral. Em meio a muitas viagens, poemas, problemas de saúde, em 1943 recebe a notícia da morte de sua filha Malva.
          Em 1945 ao voltar ao Chile foi eleito senador pelo Partido Comunista do Chile e mesmo como político, lutando pelos direitos dos trabalhadores vários prêmios como literato lhes são concedidos. Participando ativamente da vida política trabalha na campanha para presidente de González Videla que vem a ganhar a eleição e ao ganhar rompe com o partido comunista  passando a perseguir seus integrantes dando ínicio a uma longa batalha pessoal entre os dois, Neruda e Videla. Neruda recebe mostras de solidariedade de todo o mundo e vai viver na clandestinidade. Devido às circunstâncias políticas volta a deixar o Chile vivendo em exílio na Europa e depois de viver em diferentes países europeus retornou ao Chile em 1952. O livro As Uvas e o Vento retratam esse período do exílio. Neste período viajou por toda a Europa participando ativamente e fazendo seus poemas sob a luz de seus ideais políticos. Como havia conhecido Matilde, em 1951 encontra-se com ela em Paris e durante todo o seu período de exílio viveu a clandestinidade de seu novo amor com apoio de amigos mais próximos. Seus encontros são intercalados por várias viagens com Delia pela Europa. Em 52, enquanto Delia procurava abrir o caminho para o retorno de Neruda ao Chile, este junto a Matilde viviam seu amor que foi inspiração para Los Versos Del Capitán.
         A ordem instalada no Chile, Neruda retorna, vive com Delia Carril, mas encontra um terreno próximo ao Cerro San Cristóbal para construir uma casa para Matilde, La Chascona. Em 1955 depois de muitos livros importantes como, Todo El Amor, Antologia poesia política e Las Odas Elementales seguidos de várias homenagens ele rompe definitivamente com Delia e começa a viver com Matilde publicando em seguida seu livro Viagens. Nos anos seguintes vários livros como, Cem sonetos de amor, Canción de Geste em homenagem a revolução cubana e Las Piedras de Chile são publicados. Em setembro de 1961 inaugura sua casa em Valparaíso, La Sebastiana.
        No ano seguinte tem sua vida publicada em forma de memórias pela revista brasileira O Cruzeiro que servirá mais tarde como material para seu livro Confesso que vivi publicado postumamente em 1974. Ainda neste ano viaja para a Europa com Matilde e lança o livro Plenos Poderes. Daí em diante foi várias viagens, Paris, Moscou, Hungria, Berlim Oriental, Londres, Itália, Iugoslávia, Finlândia para recitais, encontros de poesias, congressos e reuniões de toda espécie. Viajaram também aos Estados Unidos e México onde lhes são concedidos vários títulos, condecorações e prêmios por suas poesias. Em outubro de 1966 por se saber viúvo de sua primeira esposa, casa-se com Matilde em uma cerimônia civil em Isla Negra. Volta a viajar para Moscou, Barcelona, Budapeste, Paris e Inglaterra em virtude do sucesso de seus escritos, de suas poesias e em conseqüência muitos livros, artigos são escritos em sua homenagem, sobre sua pessoa e seus poemas. A cada dia são intermináveis homenagens e prêmios.
        Em setembro de 1970 Salvador Allende é eleito presidente, e durante este governo é nomeado embaixador na França, aonde começam a aparecer os sintomas de sua enfermidade já antes diagnosticada. Em outubro de 1971 lhe foi concedido o Prêmio Nobel de Literatura e mesmo doente, convalescendo de uma cirurgia de próstata viaja à Estocolmo para receber o prêmio, depois, para a Polônia, Milão, Estados Unidos e como sofreu uma recaída foi a Moscou consultar-se lá com especialistas, viajando ainda à Londres para o Festival Internacional de Poesia. Em 1972 retorna à Santiago e em 1973 renuncia por motivos de saúde do cargo de embaixador e vivendo durante meses de saúde instável assiste ao golpe de Estado no Chile em 11 de setembro seguido do suicídio do Presidente Allende e vê com a instauração da junta de governo de Pinochet, com suas medidas repressivas seus amigos serem presos ou se exilarem, suas casas serem saqueadas, seus bens destruídos, sucumbindo, morre em 23 de setembro sendo seu funeral considerado um ato de resistência ao governo militar.

        -Texto escrito com base em informações do site da Fundação Pablo Neruda.

Sê (Pablo Neruda)
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

             

16 comentários:

  1. Oi val, enquanto lia seu post achei que vc terminaria com um trecho de sua poesia favorita dele. Coloca ai, vai!!! Beijao, ju

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  2. Oi Juliana!
    Eu acho que estava tão impressionada com o tamanho do texto que esqueci de colocar a fonte e afoto do primeiro livro que li. A poesia nem pensei, mas coloquei uma bem legal e pequena, a que eu gosto muito é grandinha, chama-se É Proibido. Bjos

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  3. Oi Val!!!
    Amei teu post!!! Aliás adoro "Pablo Neruda"... quando leio teus posts lembro do filme "O Carteiro e o Poeta" Muito bom!!!
    Bom dia!!!
    Beijos
    Bia

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  4. Oi Valéria,
    Nunca li a biografia do Neruda, "Confesso que Vivi", ma o título me encanta. Adoro a obra poética dele.
    Bjkas e um resto de semana maravilhoso para vc.

    www.gosto-disto.com

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  5. Oi!!!

    Bia!
    Que bom que gostou! Ficou muito extenso, ams fazer o que a vida dele é muito rica e eu tentei dar um enfoque geral. Está tudo na internet, mas é tanta coisa para lermos que quando vem assim mais mastigado fica melhor, daí meu post.

    Betty!
    Como estou agora um tanto "nerudiana"(rsrs) vou reler, ainda guardo meu exemplar!
    Poemas limpos sem muito rebuscamento,também gosto muito... lindos!

    Beijos!!

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  6. Oi Val!!!
    Por isso que adoro os blogs, porque não tenho tempo de pesquisar na internet, mas nos blogs dos amigos a gente acaba lendo e assim adquirindo mais cultura, esqueci de comentar que ainda não li o livro que tu citou, fiquei curiosa para ler, deve ser muito bom!!!
    Beijos
    Bia

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  7. Oi Bia!
    Pois é somos um filtro de informações, não é mesmo? rsrs
    O livro é uma viagem, não lembro muiiito, mas relembrei um pouco agora escrevendo o texto. Vou reler!Bjo!

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  8. Valéria
    Um ótimo post! Confesso que nunca li Pablo Neruda, lacuna imperdoável...
    Abraços

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  9. Oi jorge!
    Li o livro Confesso que vivi e quanto a poesia para o tamanho da obra, li pouca, mas é sempre tempo de nos redimir, são poesias lindas! Sua poesia dependendo do momento vivido tem poemas de amor, outras sobre a solidão, ou sobre política ou sobre passagens do cotidiano, dependendo do contexto. Abraços

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  10. conheço muitas poesias de Neruda, mas fiquei curiosa para ler o livro que tu citou, o título já chama a atenção.
    Beijos

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  11. Oi Valéria, Pablo Neruda merece mesmo muitas palavras, pois descrevê-lo em poucas seria impossível. Parabéns pela sua postagem, gostei demais!

    Beijos

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  12. Oi Néia!
    Obrigada!
    Realmente é impossível, sua vida é tão rica que se quer resumir, mas quebraria a sequência de tantos momentos importantes. Bjos!

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  13. Adorei o que vc escolheu! Obrigada por aceitar a sugestão :)

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  14. Oi Juliana!
    Obrigada a você por sugerir, foi uma falta minha, reparada graças à você!

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  15. Oi Valéria
    Adorei saber todas as informações sobre Neruda.
    Muito legal sua postagem e este poema do final é bárbaro.
    Bjo

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  16. Oi Maria Célia!
    Obrigada, você é muito simpática!
    Este poema é mesmo lindíssimo e completo em significados, foi sugestão a colocação de um poema e escolhi um que não ficasse cansativo depois de tanta informação.Bjo!

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Gostei de sua visita, volte sempre!

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