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quarta-feira, 20 de junho de 2012

ESPERA... ESPERANÇA

Imagem do Google

               Entre todos os filhos, ela demonstrava ser a mais sonhadora. Suas irmãs casaram cedo e ela ficou cada vez mais se aperfeiçoando nos trabalhos manuais e esperando chegar seu príncipe mesmo que não fosse encantado. Numa época em que se era educada para casar ter um dom para os trabalhos manuais, para suprir todas as tarefas de uma casa era de bom tom. Ela era uma verdadeira artista, suas mãos faziam mágicas com linhas e agulhas, mas isso não era tudo que ela desejava para si. Inquieta e empreendedora montou uma loja para ganhar e ter seu próprio dinheiro, não depender de ninguém. Loja montada viu seu sonho virar realidade e ter sucesso. Gostava do que fazia. No entra e sai das pessoas que ali iam em busca de seus artigos de papelaria, viu a frequência de um homem que parecia cortejá-la toda vez que passava ou lá entrava. Será que era o seu príncipe - pensava ela - que ansiosa esperava o retorno daquele rapaz. Ela já não era mais tão jovem, para os padrões da época já tinha até passado do tempo de casar, mas sempre havia uma esperança. E foi com alegria que viu seu desejo se realizar. Finalmente ele se aproximou e o contato se estabeleceu. Ele também não era tão novo, já era viúvo, mas isso não importava, ela gostava dele, do seu ar compenetrado e de bom moço. E cada dia era esperado com ansiedade pelo momento que ele passaria pela loja e conversariam junto à porta da frente. A chegada de algum cliente e ele partia deixando-a saudosa, mas feliz.
               O tempo passou, veio o noivado e depois o tão esperado casamento, sem festa, simples, mas realizado para a felicidade de todos, pais que inquietos esperavam aquele momento e para todos os outros que torciam pelo casal. Ela ainda continuou com sua loja, mas foi por pouco tempo, uma mudança de cidade a faria vender uma parte de seu sonho. Como era uma excelente dona de casa, trabalhadora e prendada sempre tinha tudo muito organizado e no capricho, mas lhe faltava algo para preencher a sua vida, algo muito especial, um filho para selar aquela vida tranquila e feliz. Ao se descobrir grávida a alegria ali fez morada, mas não por muito tempo, pois depois de um grande susto ela sensível abortou. Por um longo período a tristeza pairou sobre eles e as constantes desavenças entre os dois começaram a surgir. Foram dias longos, quase intermináveis, sem tréguas e na tentativa de salvar o casamento e pela impossibilidade de haver uma nova gravidez de caso bem pensado decidiram por adotar uma criança. Depois de um longo processo de busca e espera surge finalmente o grande momento de ter nos braços aquele serzinho que chegava com uma grande missão, de estabelecer a paz e fazer ressurgir o amor daquele casal já não tão jovem e ansioso por uma nova chance. Para aquele casal ela era a esperança, a escolha do e pelo amor. Até quando? Só o tempo poderia dizer...

17 comentários:

  1. Lindo conto, mas colocar nas mão e costas de um criança a esperança pra ser felizes é danado, perigoso!


    Lindo teu jeito de nos conduzir pela leitura até o final...beijos,tudo de bom e já disse:gosto de te ler! chica

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  2. Valéria,
    o fundamental é nunca perder a esperança!
    Lindo texto!

    Beijinhos :**

    Carol
    www.umblogsimples.com

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  3. a esperança chegou em um berço. em um simples berço e dentro dele o sorriso. abraços valeria otimo dia lamarque

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  4. Oi Val!!!

    Esperança também move uma pessoa a ter ações que levam a realização dos sonhos e torná-los reais.
    Obrigada por suas palavras lá no comentário de níver do meu blog, eu também tenho muito estima por você, és uma pessoa que transmite sinceridade e verdade em suas palavras.
    Tenha uma boa tarde!!!
    Bjs :)

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  5. Uma criança sempre é sinônimo de esperança para um casal!
    Embora eu creio que não é isto que salva um casamente, mas pode ajudar o casal a ter um melhor entendimento!

    Beijão

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  6. A criança com esta responsabilidade, ai que dó!. É comum casais depositarem esperanças de reacender a chama com o nascimento dos filhos, mas que pura ilusão,
    pois as crianças colocam mais ainda a prova as diferenças pessoais. Mas seu conto foi muito bem conduzido dentro desta triste realidade esperançosa.
    bjs

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  7. Val,um belo conto muito bem escrito!Um sonho de ter um filho que se esvai mas a chegada de uma criança adotada é a esperança.Na verdade,não se pode prever até quando!Bjs e meu carinho,

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  8. A ESPERANÇA é algo tão íntimo... pertence a cada um... uns tem e acreditam nela. Outros nunca a conhecerá.
    Lindo texto.
    Um grande abraço e meu carinho, amiga!!!

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  9. Quero mais...mais dessa historia de tão grande aprendizado e esperança que nunca os ambandonou....Fiquei com vontade de mais.....me conta só mais um pouquinho vai...obrigado por sempre estar presente...bjinho

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  10. Você tem um estilo de escrita muito agradável para quem lê.
    Sou um pouco pessimista com relação a se adotar ou ter um filho no intuito de se melhorar um relacionamento. Mas sempre torcemos para que tudo dê certo, pois a esperança é poderosa.
    Bjs.

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  11. Olá Valéria,

    Para um casal que não pode ter filhos a adoção é uma opção para a realização do sonho da maternidade/paternidade.
    Contudo, entendo que ela não é garantia de reajustamento do casamento, que poderá, ou não, dar certo. Todavia, é um ato de doação e de amor.

    Gostei muito da narrativa e do desenrolar do conto.

    Obrigada pelas palavras carinhosas que deixou lá no meu recanto. Você é uma pessoa muito especial.

    Beijo.

    PS: Não se estresse com o blog, pois parece que a plataforma está em "parafuso". O meu está aparecendo de forma assimétrica e com cores onde não havia. É melhor aguardar
    antes de tentar reconfigurá-lo.

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  12. Oi Valéria
    Bela história, adotar uma criança é um ato de caridade, mas tentar salvar um casamento capenga usando esta adoção, já é um pouco demais para todos os envolvidos.
    Beijo.

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  13. Esperança nos faz viver mas com equilibrio, beijo Lisette.

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  14. Oi, Valéria...

    Criança faz milagre numa família... por isso são tão fofos quando pequenos.
    Até qdo ninguém sabe mesmo, mas que importa o amanhã se hoje está tudo certo, não é?

    Beijos, querida!

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  15. Oi Valéria,
    Acho que um filho não salva nenhum casamento, seja filho biológico ou filho do coração, mas crianças sempre trazem em si uma renovação, uma promessa.
    xoxo

    Gosto disto!

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  16. A felicidade e o amor se renova com grande atitudes! abraços

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  17. Valéria
    Um filho sempre é uma dádiva.
    O que importa é a felicidade que estão sentindo compromissados
    com a criança. Não é motivo para salvar um casamento, mas certamente mais uma experiência vivida.
    Lindo conto.

    bjs.

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Gostei de sua visita, volte sempre!

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