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Mostrando postagens com o rótulo Contos

O ENCONTRO

  Imagem do Google                   O sol deixava a paisagem avermelhada e ia aos poucos caindo por trás da colina. De onde ela estava vislumbrava a pequena cidade que visitava anualmente e que era cercada por muralhas e por sete pequenas torres na região mais alta. Os campos verdes da planície cobertos de gramíneas com suas florezinhas delicadas lhe emprestavam um ar bucólico de grande beleza graças aos raios do sol que ia pouco a pouco se dissipando e mudando o colorido da paisagem.                 Ela caminhou a passos largos para lá chegar ainda com o claro do sol. Fazia questão de descer do ônibus bem antes só para fazer esta caminhada e estimular os seus sentidos com aquele presente da natureza. Conhecia todas as ruazinhas daquela cidade e imaginava o prazer de voltar a percorrê-las e perder-se nelas. Ali ela se...

UM MORADOR INESPERADO

  Imagem do Google               Todo dia passava de ônibus pela mesma rua e lá estava aquela casa chamando sua atenção. A casa tinha uma placa de Vende-se. Era bem simpática e bem localizada, embora o mato tomasse conta de todo o jardim emprestando a ela um ar de abandono. Anotou o número do telefone da imobiliária e começou a sonhar e pensar nas transformações que poderia fazer por lá. Contatou o corretor e marcou uma hora para visita.                Lá chegando começaram a percorrer toda a casa. O imóvel embora há tempos fechado já impressionou à primeira vista. Era tudo muito bom carecendo apenas de alguns reparos e renovação. Ela ia sempre à frente observando tudo nos mínimos detalhes seguida pelo marido e pelo corretor.                Entretidos nas conversas ...

ESPERANÇA NO AMOR

Imagem do Google                 Ele se virou e contemplou o corpo inerte e desfigurado da mulher sobre aquela cama e não pode deixar de pensar em quando a viu pela primeira vez. Era como se tivesse acontecido no dia anterior. Por trás do balcão da perfumaria vestida com aquela roupa de corte clássico, o cabelo preso no alto da cabeça, pouca maquiagem o seu belo sorriso o cativou no primeiro momento que a viu. Foi ousado em seu cortejo e tirou dela um sorriso tímido, mas mesmo assim iluminado. Logo estavam namorando. Ela o fazia completamente feliz, mas sabia que sua felicidade não duraria muito tempo, bastaria que a sua família colocasse seus olhos sobre ela e percebesse ali uma grande diferença social e foi o que aconteceu quando os pais quiseram conhecê-la depois de um tempo de namoro. Não sabia se tinha agido certo, mas na sua insegurança e afã de mostrar aos pais a sua determinação escolheu aquele e...

SONHOS DESPEDAÇADOS - FINAL

Imagem do Google            Dulce ia ficando cada vez mais impaciente vendo o tempo escorrer por seus dedos sem, no entanto encontrar seu príncipe encantado, mas passados vários anos, ela já beirando os cinquenta realiza seu sonho com um jovem bem mais jovem que ela, uma diferença um pouco disfarçada pelo biótipo do rapaz que não era bem um príncipe, mas ela estava feliz!            A família ficou horrorizada com aquela decisão, mas ela não sucumbiu aos argumentos, só tinha um objetivo: ser feliz.             A vida de casados foi difícil desde o início, no fundo, no fundo Dulce era uma pessoa que nunca havia se encontrado, fechada como numa redoma, seus sentimentos iam do amor ao ódio facilmente e isso somado a sua insegurança foi minando aquele relacionamento.            Daí...

SONHOS DESPEDAÇADOS - PARTE I

Imagem do Google            Sua vida foi como uma daquelas peças de muitos atos e não teve o desfecho que ela sempre sonhou!             Desde criança Dulce foi de pouco sorrir, era melancólica até. Estudou em colégio de freiras e assim foi pautando sua vida pela rigidez dos preceitos e regras assimilados e quase como uma tatuagem, aplicados em todos os seus comportamentos.            Possuía um corpo esguio e franzino e um rosto fino e sério que acentuava estas características circunspectas. Assim foi crescendo cercada por seus pais e irmãos, uma grande família que a fazia se isolar mais ainda por se perceber diferente. Daí por se decidir a ser freira foi um pulo, afinal ela se adequava bem àquela vida reclusa de estudos e orações.            No início ela se adequou marav...

SONHOS DE UMA FLOR

Imagem do Google               Naquela família unida e feliz apesar das dificuldades, aquelas três lindas flores enchiam de frescor e perfume à vida daquele casal. Entre as três havia uma cumplicidade, já que suas idades eram bem próximas, a mais nova Verbena, nos seus dez anos irradiava alegria mesmo tendo que aproveitar de Viola e Violeta desde o brinquedo, até o sapato e as roupas. Cresceram assim cheias de sonhos e fantasias. As irmãs mais velhas logo depois dos estudos foram casando e Verbena dedicada e estudiosa, agora com dezoito anos deixava-se levar por mil devaneios de ter uma vida diferente, poder se formar conseguir um ótimo trabalho e viajar, cruzar fronteiras. Começou a trabalhar para poder pagar seus cursos de idiomas e em qualquer tempinho disponível se debruçava nas leituras que naquele momento era uma forma de fazer suas primeiras viagens. Meiga e tímida quase não possuíam amigas, vivia no seu ...

OS PREPARATIVOS

Imagem do Google               Luiza deu uma última olhada no espelho, ajeitou o coque preso na nuca e sorriu, se sentia satisfeita, de bem com a vida. Olhou em torno todo o seu quarto impecavelmente arrumado e se dirigiu até a cama, passou a mão arrumando a prega que ficara na colcha e pegou o avental, colocou sobre o pescoço, amarrou nas costas e passou a mão ajeitando-o ao corpo. Não tinha como evitar, era maior que ela, era perfeccionista. Saiu do quarto e se dirigiu à cozinha, colocou a chaleira no fogo e começou o ritual do preparo do café da manhã, frutas cortadas, bolos feitos na tarde anterior, pão feito em casa, geleias, ovos e leite vindos da fazenda, um banquete para apenas duas pessoas, mas tudo feito com carinho e dedicação. Logo a cozinha começou a exalar o cheirinho do café fresco e quentinho chamando os donos da casa para o início do dia. Aquele casal já idoso e cheio de idiossincrasias morava ali h...

A FAMÍLIA

Imagem do Google                Ela parou de ler, deitou o livro sobre o colo e fitou o horizonte. Deitada na espreguiçadeira ela tinha diante de si uma paisagem reconfortante e bela. As ondas de águas límpidas do mar a sua frente quebrava trazendo aquela espuminha branca bem junto de seu portão. Ela respirava aquele cheiro gostoso de mar trazido naquelas ondas e se sentia mesmo por um momento feliz, em paz. Uma leitora voraz sentiu pela primeira vez o peso do livro sobre o peito oprimido e saiu do devaneio, aquele trecho da leitura havia lhe despertado recordações, uma lembrança ainda não resolvida teimava em atrapalhar sua leitura. Aquela personagem bem podia ser ela, com uma diferença significativa, ela não estava conseguindo enfrentar a situação de frente. De repente se sentiu cansada e entediada, colocou um marcador no livro e levantou. Foi preparar um chá na cozinha sem parar de pensar e refazer todo o ...

O FAROL

Imagem do Google               Lá na esquina do mundo, em um pedaço longínquo de terra se instalou uma pequena comunidade com menos de dez casas para a manutenção do farol. Pintado de preto e branco em espiral ele se mantém ali solitário como olhos do mar clareando a praia, o horizonte marítimo nas noites escuras, quando seus raios luminosos correm toda a região no seu giro de 360°. Seja lá de onde for que se esteja aquela luz traz a esperança para quem a ver, seja em terra, seja no mar. De dia ele pode ser visitado seja chegando pela praia, seja pela estrada. Ir pela praia parecia ser mais emocionante, caminhar atravessando entre pedras e areia em caminhos feitos nas dunas por entre vegetações. Aquele grupo de adultos e crianças que saiu da pequena vila de pescadores ia eufórico a brincar e rir cada vez mais estimulando a imaginação daquelas crianças. Pelo caminho íngreme ainda não dava para ver to...

ESPERA... ESPERANÇA

Imagem do Google                Entre todos os filhos, ela demonstrava ser a mais sonhadora. Suas irmãs casaram cedo e ela ficou cada vez mais se aperfeiçoando nos trabalhos manuais e esperando chegar seu príncipe mesmo que não fosse encantado. Numa época em que se era educada para casar ter um dom para os trabalhos manuais, para suprir todas as tarefas de uma casa era de bom tom. Ela era uma verdadeira artista, suas mãos faziam mágicas com linhas e agulhas, mas isso não era tudo que ela desejava para si. Inquieta e empreendedora montou uma loja para ganhar e ter seu próprio dinheiro, não depender de ninguém. Loja montada viu seu sonho virar realidade e ter sucesso. Gostava do que fazia. No entra e sai das pessoas que ali iam em busca de seus artigos de papelaria, viu a frequência de um homem que parecia cortejá-la toda vez que passava ou lá entrava. Será que era o seu príncipe - pensava ela - que ansiosa esp...

SOLIDÃO

Imagem do google                      "Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto." Francis Bacon                Pela janela do quarto ele vê a vida passar, lá fora crianças brincam de bola e a cada vez que fazem um gol, ele lá do seu cantinho timidamente vibra. Artur tem oito anos de idade e vive só com sua mãe, seu pai morreu quando ele ainda era bem pequeno e dele quase nada lembra. Sua mãe vive do trabalho para casa e no período da manhã em que estão os dois em casa quase não trocam uma palavra, se entendem assim através do silêncio, quase que adivinhando o desejo do outro.                A vida passa sem nenhum brilho naquela pequena casa, só o mundo lá fora muda ...

A CASA GRANDE

Imagem do Google               Naquela bela fazenda de grandes e verdes pastos a grande casa era cercada por muitas árvores de tamanhos variados que lhe acentuava um ar bucólico. A casa ficava no alto e para se chegar a ela era preciso subir vários degraus. O alpendre na entrada da casa era cercado por um belo jardim, mas não tão bem cuidado. Uma variedade de pequenas e coloridas flores davam boas vindas a quem chegava e entre elas as ervas daninhas teimavam em procurar ofuscar estas belezas. Todos os outros alpendres que a rodeava não possuíam degraus, só as altas paredes do alicerce que lhe emprestavam certa imponência e um certo perigo, lá crianças não podiam brincar, era uma regra dos adultos. Correr pelos grandes cômodos daquela casa era uma das brincadeiras preferidas das alegres crianças que lá moravam. Salas imensas e bem decoradas não eram apinhadas de móveis e eles podiam ali circular livremente. A grande m...

NAQUELE VERÃO...

Imagem do Google              Ao abrir as cortinas da sala, a bela paisagem surgiu diante de seus olhos, um cenário tão sonhado durante todo o ano. No horizonte o azul do céu se confundia com o mar de águas transparentes. Seu paraíso. Durante todo o ano vivido na dinâmica da cidade grande, no estresse do trabalho no escritório de advocacia em meio a datas e prazos a cumprir Paula esperava por aquele mês de férias em pleno verão para vivê-los no sossego daquela praia contemplando a placidez daquelas águas. Com ela, foram suas duas amigas de faculdade que esperavam desfrutar também daquela paz. Em meio a toda bagagem, muitos livros, vinhos e cds, era tudo do que precisavam para se divertirem e pôr a conversa em dia.             Depois de se instalarem buscaram cada uma a sua maneira aproveitar aquele primeiro momento de impacto diante daquela imensidão, precis...

AMOR INCONDICIONAL

Imagem do Google              De repente a cama estava cheia de roupa e ela continuava indecisa, a cada roupa que descia do guarda-roupa mais sua ansiedade aumentava. Faltavam poucas horas para aquele tão esperado encontro e ela só pensava em ficar linda para aquele seu amor, fazia tão pouco tempo que ele estava na sua vida, mas parecia que fazia muito tempo, seu coração estava tomado das mais variadas emoções tão próprias dos apaixonados da sua idade. Pronto, havia decidido, iria vestir aquele vestido estampadinho que tanto realçava sua cor morena clara e seu frescor da juventude. Vestiu, prendeu o cabelo no alto da cabeça deixando surgir seu belo colo e passou um leve batom. Quando ele a viu, suspirou, ela estava linda! Assim foram os meses de namoro de puro encantamento, a cada encontro, a cada beijo, a cada abraço um amor desmedido crescia e ela deixou-se levar pelas ondas da paixão. O tempo foi passando e cada vez ...

A DOR DA PERDA

Imagem do Google              Como em todo casamento, eles tinham lá seus altos e baixos, mas a forte personalidade dos dois era sempre um grande desafiador e inimigo deles. Ela, filha única, de tão mimada chegava a ser caprichosa e isto que para ele no início pareceu sedutor foi se tornando cansativo. Os filhos foram chegando, aumentando a responsabilidade e dividindo mais e mais aquele casal. Ele por conta do trabalho viajava muito e as conversas em forma de fofoca iam chegando aos ouvidos dela, era um namorico ali outro acolá e ela foi se fechando no seu mundo e dedicando seu amor e atenção aos filhos. As brigas ficaram frequentes e muito ácidas, os motivos sempre os mesmos, da parte dele o temperamento arredio da esposa, para ela as amantes que se somavam a cada viagem. Os filhos já crescidos presenciavam a tudo aquilo e por mais que amassem o pai, pois apesar de tudo ele se fazia amado e os amava, defendiam a mãe in...

DESILUSÃO

Imagem do Google               O carro andava a alta velocidade. A paisagem que aquela menina gosta tanto de apreciar, hoje passa por ela rapidamente, mal dá para perceber, a lagoa, o rio, as árvores e os pássaros que voam. Dentro do carro o motorista dirige mecanicamente e ela e sua mãe preocupadas se entreolham. O casal que viaja na frente, sua irmã e o marido brigam trocando palavras grosseiras e desabafos guardados por muito tempo. Uma música toca no rádio, mas ninguém a ouve, apenas torna todos aqueles gritos mais insuportáveis. A menina nunca havia presenciado uma cena daquelas e estava assustada, com um olhar suplicante olhava para a mãe aflita que teme se intrometer. Em certo momento sua irmã abre a porta do carro em movimento para se jogar na estrada e por um breve momento seu corpo se projeta para fora do carro instalando o pânico. Entre gritos e súplicas conseguem puxá-la para dentro do carro que fora...

ENVELHECER

Imagem do Google            " O homem começa a envelhecer quando as lamentações começam a tomar o lugar dos sonhos ." (John Barrymore)             Mal começa o dia e ela senta diante da televisão e assim como passam os flashes coloridos das imagens também passam seus minutos, horas e dias. O colorido das imagens nem a informação nelas contidas quase não lhes chama mais a atenção. Nela são claras as marcas do tempo, seja no rosto enrugado, seja no corpo já encurvado com o peso dos anos, seja nas cicatrizes da alma.             Ali sentada a vida passa, mas só ficaram as recordações de um ontem que é o seu hoje, pois como se fosse um filme que guardamos para rever depois, ela congelou em sua mente um tempo de boas lembranças que preenchem de memórias o seu presente. Perdida em meio ao cotidiano ali naquele seu mundo po...

7 LINKS PROJECT - MINHAS POSTAGENS

            A amiga Renata do blog Eternos Prazeres  me convidou para participar do seven links project, que tem como meta unir os blogueiros (de todos os setores) para compartilhar lições aprendidas e criar um banco de posts antigos que merecem ser revisitados.             Então, seguindo as orientações do projeto:             Devo escolher:              1 - O post que mais me orgulho,                  Encontros e desencontros               http://ahdoqueeugosto.blogspot.com/2011/08/encontros-e-desencontros.html                Neste post fiz uma vi...

NAQUELA MANHÃ...

Imagem do Google             Ela nem imaginava que aquele dia que começava como um dia qualquer poderia vir a ser um divisor de águas na sua vida, um antes e depois cheio de reticências. Os dias eram sempre cheios, começava cedo a jornada com os três filhos pequenos, uma escadinha que fazia de sua até então tranquila vida, um pequeno e divertido caos. Enquanto estavam envolvidos em suas brincadeiras ela procurava pôr em dia suas atividades.             Era manhã de um belo dia de sol e as voltas com seu jardim mal percebe um carro que chega. Dele desce uma jovem e antes mesmo que falasse alguma palavra ela teve a nítida certeza que o passado batia a sua porta. Como se parecia com ela! Foi um encontro tímido, de sentimentos refreados embora a emoção cercasse as palavras e as descobertas que estavam a ser trocadas. A sua visita, uma irmã que até pouco tempo ela não sabia ter, ...